EM MARIA NOS TORNAMOS
SERVOS HUMILDES E FIÉIS!

No silêncio nos encontramos
com nossa história humana transformada
em história de salvação
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1,38). Aqui estão os profundos dizeres de Maria Santíssima, dirigidos não só ao Anjo Gabriel, mas a todos nós. São palavras que, ainda hoje, ressoam em nossos corações e clamam por menos opulência e mais humildade, menos pompas e mais simplicidade. No lugar de senhora, ela se colocou como serva. Em vez de imperatriz fez-se mãe. Foi pobre por condição e opção. Justamente por isso, em seu ventre bendito, foi gerada a nossa maior riqueza: Jesus, o Santíssimo Redentor!

   Em uma sociedade onde fortunas, carreiras, propriedades, likes e status parecem valer mais que a dignidade humana: Maria vem para nos apresentar a difícil lição da humildade. Ela nos enxerga como filhos queridos para além de todas as aparências vãs. Ela nos ensina que a vida só tem sentido se ofertada em função dos demais, sem qualquer interesse diferente da evangelização. Aprendamos com Maria, a Mãe do Belo Amor, a importância da humildade gratuita e da fidelidade incondicional. Assim, só nos restará fazer tudo aquilo que o Mestre nos disser (cf. Jo 2,5).

   No amor do Pai, a intercessão de Maria nos sustenta e ampara. Junto ao seguimento de Cristo, as virtudes de Maria nos tocam e servem de exemplo. Na força do Espírito, a maternidade de Maria nos envolve e evangeliza por inteiro. Que em seu coração maternal os devotos possam encontrar sempre o refúgio para as adversidades da vida. Os fiéis sabem que, depois de acolhidos e cuidados, seus sofrimentos serão depositados na presença de Jesus, por nada mais nada menos que a sua própria Mãe. Mesmo que as dificuldades apareçam, entre as pedras do caminho, nossa Mãezinha querida conosco se dispõe a caminhar. Caminhemos, portanto, para a luz da Trindade sem véu. Uma abençoada festa a nós que, independente dos afazeres, somos todos romeiros e devotos!


“SALVE, CHEIA DE GRAÇA,
O SENHOR É CONTIGO”

No silêncio nos encontramos
com nossa história humana transformada
em história de salvação
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    O povo caminhava sem rumo e vazio de esperança. Mas, fiel à sua promessa, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho amado, por meio do Espírito Santo, a uma jovem pobre de Nazaré. Seu nome, em aramaico, era Mariam. Já pela tradição latina e universal a chamamos de Maria Santíssima. Na precariedade de um pequeno povoado, junto dos pobres, abandonados e desvalidos, Deus fez de uma virgem uma mãe. Foi em seu ventre maternal que a Nova Aliança gerou-se por primeiro. Diante disso só nos resta reconhecer que “feliz o ventre que te carregou, e os seios que te amamentaram” (Lc 11,27).

   Antes mesmo de ser escolhida, Maria se deixou escolher pelo Pai Eterno. Permitiu- se, portanto, pertencer ao Senhor, sem qualquer reserva ou condição. Consentiu porque creu. Acolheu porque confi ou. Engravidou porque cedeu lugar ao absoluto de Deus. Em Jesus, ela se tornou testemunha da solidariedade divina para com cada um de nós. Poderia ter saído às pressas para nos socorrer (cf. Lc 1,39). Porém, escolheu ela fazer-se servidora, proclamando com a própria vida: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Só depois disso permitiu que a grandeza da sua missão se convertesse em serviço! Assim, a Mãe nos ensinou a diminuir a terrível distância entre ‘aquilo que se diz’ e ‘aquilo que se vive’.

   Fé e vida se encontram na maternidade de Maria. Não há mais divórcio a separar a pregação da prática. Saibamos, pois, que não é o hábito bem costurado, a doutrina bem defendida, as funções pastorais bem desempenhadas, a comunidade bem coordenada ou, ainda, a liturgia bem-disposta que nos afi rmarão enquanto cristãos e missionários diante do mundo. Muito além dessas importantes tarefas, é a experiência de ser gerado por Jesus quem nos dará a garantia de fi delidade ao Evangelho. É preciso fazê-lo nascer e crescer em nós (cf. Jo 3,1-8). Assim como fez com Maria: Deus também é conosco! (cf. Lc 1,28)


Ressuscitamos com o Cristo dos
pobres e com os pobres de Cristo

No silêncio nos encontramos
com nossa história humana transformada
em história de salvação
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    A ressurreição de Jesus Crucificado é o alicerce da fé cristã. Não há outra base maior sobre a qual se fundamenta o nosso crer. A morte, que parecia um fracasso, foi superada pela vida, que se manifestou como vitória. A desesperança momentânea cessou frente à esperança permanente. O amor excedeu ao ódio, a compreensão venceu a ignorância e o destemor transpassou ao medo. Enfim, a justiça divina foi estabelecida novamente. “Assim como, pela obediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, do mesmo modo, pela obediência de um só, todos se tornaram justos” (Romanos 5,19).

   A experiência da ressurreição não permaneceu confinada no sepulcro. Pelo contrário, avançou para além daquele tempo, chegando até os dias atuais, tocando o meu e o seu coração. A grandiosidade da mensagem pascal solicita de nós um compromisso permanente com a fé, principalmente, no fato de testemunhá-la até as últimas consequências, tal como o fez Jesus. Nele está o referencial do que é doar a vida pelos mais pobres e oprimidos. Jamais podemos perder de vista o registro histórico do Mestre que se aliou com os mais vulneráveis de seu tempo. É uma questão de fidelidade!

   Prostitutas, viúvas, crianças, doentes, cobradores de impostos e toda sorte de desvalidos eram seus grandes companheiros de vida e missão. Os últimos, que viviam no indigno lugar das sobras, foram tornados os primeiros. Hoje, não precisamos ir muito longe para encontrar os endereçados da ressurreição, particularmente, aqueles que permanecem em condição de pobreza e abandono. Se quisermos permanecer fiéis a Cristo é preciso nos consumir, dedicar e retornar sempre aos pobres. Nisso consiste a fidelidade ao chamado do Pai Eterno que precisa ultrapassar o muro de nossas casas e de nossos conventos. Avante!


O silêncioo, a palavra e a comunhão

No silêncio nos encontramos
com nossa história humana transformada
em história de salvação
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    A distração, suponho eu, é uma das maiores ocupações do tempo presente. Logo, manter-se em silêncio, na companhia dos próprios sentimentos, beira ao impossível. Dia após dia somos atordoados e nos permitimos atordoar por uma avalanche de palavras barulhentas, confusas e ruidosas que nos fragmentam desde dentro. São telefones tocando, curtidas subindo, selfies publicadas, tarefas acumuladas e, até mesmo, conversas, às vezes, infrutíferas... Enfim, ecos supostamente vazios de um sentido maior. O problema não está nas coisas em si, mas no sentido que concedemos a tudo isso.

   Falamos... Criticamos... Negamos... E as conversas boas e fecundas parecem ficar cada vez mais raras. O excesso de palavreado esconde o fato de que no silêncio nos encontramos com nossa história humana transformada em história de salvação. Distraídos nas falhas alheias nos esquecemos de nossas próprias falhas. Imersos nas críticas constantes deixamos de olhar para a crítica que se dirige a nós. Negando nossos defeitos passamos a enxergar mais os defeitos dos outros. Por essa via acabamos perdidos de nós, dos demais e de Deus.

   É preciso coração renovado para ver coisas novas e boas. É necessária alma compassiva para testemunhar compaixão. É fundamental deixar-se evangelizar para, só depois, levar a evangelização. Que, no lugar de maldizer, possamos bendizer. Se não é possível falar bem de alguém, então, permaneçamos em silêncio. Isso se não quisermos ferir a comunhão que precisa ser defendida por cada um de nós. “Que nenhuma palavra inconveniente saia da boca de vocês; ao contrário, se for necessário, digam boa palavra, que seja capaz de edificar e fazer o bem aos que ouvem” (Ef 4,29). Peço, portanto, ao Pai Eterno que abençoe e santifique as nossas palavras!

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Tempo de acolher o Evangelho do Natal

Atravessar a distância
abissal entre a bonita teoria e
a difícil prática
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    Antes, vivíamos perdidos e confusos. Mas, depois, fomos encontrados e norteados. Antes, sentíamo-nos estilhaçados pelo pecado derradeiro. Em seguida, fomos restaurados pela graça primeira. Antes, encontrávamos-nos forasteiros de nós mesmos. Posteriormente, tornamos-nos próximos das profundas feridas que nos fazem tão humanos. Antes, éramos apequenados pela finitude desta vida. Agora, em nós habita a vida eterna que não se consome (cf. Jo 3,16). Em seu divino nascimento, Deus faz o avesso de nossas vãs e momentâneas expectativas.

   Confiantes na promessa bíblica, esperávamos por um Deus que nascesse no palácio, mas ele apareceu nascido em um curral. Aguardávamos pelo Divino que irrompesse gloriosamente, ressoado aos quatro cantos do mundo pelas trombetas apocalípticas. No entanto, ele veio no silêncio de uma noite, por meio da fragilidade de uma criança que precisava ser nutrida e cuidada. Pensávamos que ele se aliaria com os grandes e poderosos, pois deles parece depender o poder para mudar alguma coisa neste mundo. Contrariando a tudo isso, Ele chegou para fazer aliança com os pobres e os oprimidos.

   Logo, é tão importante nos sobrepormos ao esperado. É preciso ir além, mantendo-nos cativos ao Evangelho e atados à Copiosa Redenção. De ambos dependem a nossa fidelidade à missão assumida. O Natal é o tempo propício para revisitarmos a nossa consagração, tentando descobrir aquilo que tem nos distanciado do anúncio do Reino de Deus, tão corajosamente defendido por Jesus. É preciso atravessar a distância abissal entre a bonita teoria e a difícil prática. É fundamental permitir que, de uma maneira coerente, Cristo continue a existir em nós. Nossas atitudes têm de brotar de um coração arrependido, sendo testemunhadas por comportamentos reconciliados. Não deixemos que o Menino fique ao relento da vida. Que ele possa ser generosamente acolhido na manjedoura deste coração redentorista! Abençoado Natal a todos!

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No Redentor somos
impulsionados aos novos tempos!

Nossas raízes fundacionais e a razão de ser da
missão redentorista são os pobres
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    Saudações, daqui da Tailândia, a cada um de vocês, confrades e amigos! Sirvo-me do nosso Rapidinho para partilhar com todos um pouco das minhas experiências em terras asiáticas, marcadas pela tradição budista. Como sabem encontro-me no XXV Capítulo Geral, na companhia de 101 capitulares e mais de vinte outros confrades de todo o mundo. Estamos reunidos na cidade de Pattaya. Tempo de renovar a esperança na missão, principalmente, diante dos tempos atuais. Tempo de nos deixarmos tocar pelo Evangelho que nos impulsiona às ações criativas. Tempo de acolher os mais jovens, sem perder de vista a generosa sabedoria dos mais idosos.

   Quando nos encontramos com confrades de outras Unidades e países é possível constatar que o sonho de Deus, depositado no coração de Santo Afonso, foi semeado pelo mundo afora, alcançando assim os mais oprimidos. Ontem, eram os cabreiros; hoje, são os pobres, aqueles últimos, colocados no indigno lugar das sobras. Jamais podemos perdê-los de vista, pois disso depende as nossas raízes fundacionais e a razão de ser da missão redentorista. Muitos temas têm sido tratados e debatidos. Os trabalhos permanecem direcionados em vista do futuro da nossa querida Congregação. Na próxima circular espero poder aprofundar tudo isso com vocês.

   Há de se pensar, ainda mais, sobre a preparação das novas lideranças, sempre solícitas aos desafios do momento presente. É preciso coração apaixonado pela missão. É necessário sensibilidade para o diálogo. É fundamental ter disposição para solucionar problemas, por meio de respostas responsáveis e satisfatórias, desde que refletidas, discutidas e internalizadas por todos os congregados.

 O Natal já se aproxima. Somos chamados a prepará-lo. É um tempo muito oportuno para revisitarmos a nossa consagração, tentando descobrir aquilo que tem nos distanciado do anúncio do Reino de Deus, tão defendido por Jesus. Não deixemos que o Menino Deus fique ao relento de nossa vida consagrada. Que Ele possa ser generosamente acolhido na manjedoura deste coração redentorista! Bom Tempo do Advento a todos e um Natal cheio de luzes e ações de graças!

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Vem, Senhor Jesus, com teu Reino!

O Reino tem uma identidade e essa
identidade é a pessoa de Jesus
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    Escrevo esta simples mensagem daqui de Pattaya, na Tailândia, onde nos reunimos em Capítulo Geral, para refletir novos horizontes e desafios para a Congregação no mundo. Peço as orações de todos os confrades e leitores diversos do Rapidinho.

   No final deste mês iniciaremos o tempo do Advento. Momento especial de preparação para a vinda redentora do Senhor. Até a chegada do Santo Natal, cada cristão é convidado ao recolhimento, mantendo viva a esperança no Salvador que, em breve, chegará, trazendo consigo a inauguração do Reino de Deus.

   O Reino não é iniciativa humana, mas está a serviço de Acontecimentos daqui e dali Cardeal Tobin Mestre Mãe Aparecida Haiti e os redentoristas todo homem e de toda mulher. Plenificado por Jesus, o Reino não fica reduzido às palavras e aos ensinamentos do Mestre. Ao contrário, é ampliado pelas Suas práticas e pelos Seus atos, junto dos mais pobres. O Reino tem uma identidade e essa identidade é a pessoa de Jesus. Aqueles que almejam conhecer o Reino, em profundidade, precisam se associar à escola do Evangelho, cuja maior lição está na cartilha do serviço.

 Os destinatários do Reino são todos os que assumem nas suas vidas um modo de existir mediante o Amor (Cf. I Jo 4,16), emprestando sem esperar nada em troca (Cf. Lc 6,35) e doando aos que não podem retribuir (Cf. Lc 14,14). Assim, preparam o caminho do Senhor que vem não tarda a chegar (Cf. Mc 1,3)! Os homens e as mulheres do povo, os camponeses e os pecadores, as crianças e as viúvas foram os primeiros endereçados do Reino gratuito de Deus. Hoje, são os abandonados e os excluídos. Trata-se de uma predileção, sem qualquer exclusivismo

   Ciente da sua missão, em preparar a chegada do Senhor, a Igreja se coloca como servidora fiel do Reino, na pessoa dos sofredores. No rosto dos sofridos, ela reconhece o rosto de Cristo, que permanece padecendo mundo afora. Que, unidos, possamos proclamar na vida, tal qual o Batista: “O tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam- -se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1,15). Um abençoado Advento! (voltar)


O missionário é um
continuador da missão de Jesus

Dar continuidade à missão de Jesus, testemunhando
o dom da fé, por meio das obras
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    Entrando no mundo, tornando-se carne de nossa carne, pela ação do Espírito e conforme o ventre de Maria, o Mestre Jesus estava inteirado da sua missão redentora. Sabia, portanto, que tinha vindo para “evangelizar os pobres” (Lc 4,8). Viveu como pobre: por condição social e por opção evangélica. Ficou junto com eles durante todo o tempo. Com eles também foi crucificado. No fim de sua existência terrena faleceu exclamando como os pobres e, após a Ressurreição, permaneceu junto deles. Nisso consistiu a fidelidade de Jesus em defendê-los, provê-los, cuidá-los e amá-los intensamente.

   Se quisermos permanecer fiéis à missão evangelizadora de Cristo, precisamos caminhar ao lado de todos os filhos do Pai, em especial, dos mais pobres. Ele sentou à mesa com os cobradores de impostos (cf. Lc 15,1), salvou a mulher adúltera (cf. Jo 8,1- 11), curou os leprosos marginalizados (cf. Lc 17,11-19), ressuscitou o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7,11-17) e curou a mulher hemorroísa (cf. Mc 5,25-34). Enfim, consagrou sua existência filial ao serviço dos pobres (cf. Mt 9,36; 2 Cor 8,9). Tudo porque não veio para chamar os justos, mas os pecadores (cf. Mc 2,17). Agora, somos nós que devemos nos preocupar com eles, em vista do critério da solidariedade missionária e da caridade incondicional. Temos condições de dar continuidade à missão de Jesus, testemunhando o dom da fé, por meio das obras.

   Existimos para evangelizar. Quem faz a experiência da fé no amor do Pai Eterno torna-se uma nova pessoa, pois se assume como filho, passando a ajudar a todos na condição de irmãos! Falar do Pai, testemunhar a Sua graça, levar o Seu amor é uma missão que necessita ser assumida por todos, não só em função dos mais próximos ou queridos. Escutemos o Senhor que nos diz: “Eu conheço a tua conduta, teu amor e tua fidelidade, teu serviço e tua perseverança, e as tuas obras recentes, mais numerosas ainda que as do início” (Ap 2,19). Que, para além do mês missionário, possamos amparar o pobre tal qual Jesus o amparou, acolheu e salvou. (voltar))


Viver da Palavra e pela Palavra

As Sagradas Escritura descrevem a presença fiel de um Deus
que se dignou revelar a nós!
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    A Palavra de Deus nos santifica na verdade (cf. Jo 17,17). Ela acompanha a todos que nela se refugiam (cf. Pr 30,5). Junto disso, também corrige na generosidade e instrui na justiça (cf. 2 Tm 3,16), tocando os pensamentos mais corriqueiros e as intenções mais profundas dos nossos corações (cf. Hb 4,12). As Sagradas Escrituras, tão bem celebradas neste mês de setembro, descrevem a presença fiel de um Deus que se dignou revelar a nós. Não apenas se manifestou como também quis caminhar com o Seu povo: chamando-o, elegendo-o e perdoando-o..

   Decidido a sair de si, Ele passa pela benéfica sombra do Primeiro Testamento (Antigo), conforme os escritores sagrados compreendem a Sua ação redentora, até chegar ao Segundo Testamento (Novo), iluminando-nos plenamente com as palavras de vida eterna, testemunhadas por Jesus (cf. Jo 6,68). É, de fato, um Deus que segue em caminhada pelos Seus. Tal qual um romeiro, Ele vem ao nosso encontro para trazer-nos salvação. Ontem, eram os profetas e os apóstolos. Hoje, somos nós os principais responsáveis pelo anúncio da Palavra. Essa realidade nos faz, num só tempo, endereçados da evangelização e fiéis evangelizadores.>

   Desde os tempos mais remotos há uma pedagogia que antecede aos escritos da Bíblia. Inicialmente, ela foi vivenciada; em seguida, contada e transmitida; para só depois ser redigida e organizada. Conosco não é diferente. Somos sempre convocados a vivenciá-la antes de anunciá-la aos demais. Os primeiros ouvidos são os nossos! É fundamental, portanto, a escuta obediente às Escrituras que nos tocam por inteiro. Diante dela não podemos nos comportar como simples ouvintes, mas sim como praticantes da Palavra (cf. Tg 1,22). (voltar))


Antes de tudo, somos irmãos!

A sublime vocação que foi anunciada pelo próprio Jesus
Só poderemos percorrê-la seguindo o caminho da fraternidade!
Pe. Robson de Oliveira
Superior Provincial

    A vocação é um dom recebido pelo Pai Eterno e, como tal, necessita ser doada aos demais. Aqui está uma verdade que serve tanto para os candidatos ao matrimônio e aos catequistas, quanto para os candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa. O compromisso é o mesmo, pois não existe vocação mais importante que a outra. O importante mesmo é o Deus que convida, abençoa e elege a pessoa vocacionada.

   No amoroso coração do Pai Eterno a vida já é a primeira forma de vocação. É por isso que a Igreja olha para ela como um serviço evangelizador. “Quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. O Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (Mc 10,44-45). No serviço vocacional está a revelação do Amor pela pessoa e a verdade sobre a sua existência. É servindo que nos igualizamos, mesmo nos diferentes serviços. Quanto mais vertical é uma vocação, quanto mais opulenta é a sua presença, mais distante de Deus ela pode se encontrar.

   O Pai é o único fundamento de uma vocação plena. As estruturas jamais. Em suas diversas formas, a vocação sempre será a manifestação do humano pela comunhão com o Absoluto. Quando respondida, a vocação passa a conceder sentido para a nossa própria história. Todas as atitudes e até mesmo a convivência cotidiana são por ela ressignificadas. Da vocação acolhida e partilhada nos fazemos fermentos de Deus no coração do mundo.

 Assumindo o nosso chamado somos capazes de evangelizar a própria vida e de anunciar a mensagem do Pai Eterno a todos àqueles que dela necessitam. Fazemos a experiência do amor e somos capazes de levá-lo adiante. Essa é a sublime vocação que foi anunciada pelo próprio Jesus, ao longo do seu ministério, e a nós foi confiada! Só poderemos percorrê-la seguindo o caminho da fraternidade que nos torna irmãos. Abençoado mês vocacional a todos!(voltar)