Honestidade

 Algumas figuras que deram grandes contribuições na reflexão do que seja a honestidade

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Honestidade na Grécia Antiga

    Do que o Brasil mais precisa nesse momento da nossa história? Do quê? De honestidade! Honestidade na política, na economia, nos relacionamentos, nas coisas mais corriqueiras de todos os dias. Estou convencido disso. Daí, resolvi dedicar essa carta de junho a algumas figuras que deram grandes contribuições na reflexão do que seja a honestidade. Começo com a mãe da civilização ocidental, a velha Grécia. O filósofo Diógenes de Sinope viveu em Atenas e morreu em Corinto no século III a.C. Na capital, pode ter sido um aluno de Antístenes, antigo discípulo de Sócrates. Os historiadores contam que ele radicalizou de tal maneira a sua busca pela honestidade que se desfez de tudo e vivia pelas ruas como um mendigo. Conta-se que ele andava pelas ruas de Atenas, com uma lamparina na mão, e se perguntassem o que ele fazia com aquilo, respondia: ”Procuro um homem honesto”. Dessa história já se pode imaginar que esse tipo de gente era raro já em tempos clássicos. Diógenes procurava o ideal chamado na Filosofi a de “cínico” por meio da autossuficiência, não no sentido que compreendemos hoje, mas no sentido de adotar um estilo de vida que fosse despojada fugindo dos luxos da civilização. Diógenes deixou um ensinamento que pode iluminar a realidade de nossos dias: a virtude da honestidade não é revelada em teoria, aliás, todo mundo é honestíssimo, na teoria. A honestidade se revela na prática. E na prática se combate uma sociedade corrupta.

    Honestidade nos Padres da Igreja

    Trazendo outro pilar sobre o qual o Ocidente se apoia, o cristianismo, e recordando as grandes fi guras dos primeiros oito séculos, impossível não fazer menção a Santo Agostinho a respeito do tema. Prof. Ivanildo Maciel Júnior diz que o bispo de Hipona, que viveu entre 354 e 430 d.C., aplicava a seguinte consideração sobre o que é e como se pratica a honestidade: “Vamos supor que eu vá comprar algo em uma mercearia e por descuido o vendedor ou vendedora acaba me dando o troco a mais do que era realmente o correto, logo que percebo retorno e explicando a situação devolvo o dinheiro a mais que recebi. Nisto eu exerci a Virtude da Honestidade, que não pode ser usada para o mau, mas somente para minha felicidade, ou seja, uma pessoa não poderia vir a me dizer que eu havia me prejudicado sendo honesto em devolver o que não era meu, neste caso, o dinheiro que recebi a mais”. Parece simples a compreensão de fi car apenas com aquilo que é seu, de direito, e não tocar no que não é seu. Teríamos todas as histórias que lotam nossos telejornais, todos os dias, mostrando dinheiro saindo pelos canos grandes e sujos das propinas se as pessoas fossem capazes de não tocar no que não é seu, por direito?

    Honestidade no Oriente

    O terapeuta, jornalista e escritor Gilberto Antonio Silva, seguidor do taoísmo, visitou muitas vezes o Japão e conta a história dos “Mujin Hanbai” que é o nome dado às barracas de vendas sem atendentes. Ele diz que, geralmente, são barracas bem simples, onde são colocados à venda, diversos tipos de mercadorias, na maioria das vezes verduras, legumes e frutas frescas. “O diferencial está na hora de fazer a compra, o comprador escolhe a mercadoria, embala nas sacolinhas e deposita o dinheiro correspondente à compra dentro de uma caixinha sempre bem à vista e vai embora. O comprador faz tudo isso sozinho sem que haja ninguém para conferir se o valor depositado é correspondente ao que pegou - não tem câmeras porque são a maioria provenientes de agricultores locais, ou idosos - muito ocupados com suas hortas. As mercadorias na maioria das vezes não são aceitas em grandes supermercados por estarem fora do padrão de estética solicitado, porém em alguns casos, os legumes são produzidos apenas para consumo da família, e o excedente acaba sendo colocado à venda através do sistema ‘mujin hanbai’”.

    Papa Francisco e a honestidade

    Em 16 de janeiro de 2015, em missa celebrada na capital das Filipinas, Papa Francisco, ao lembrar que a corrupção acaba com os recursos que devem chegar aos pobres, disse: “O Evangelho chama os indivíduos cristãos a conduzirem vidas honestas, íntegras e solícitas pelo bem comum. Mas chama também as comunidades cristãs a criarem ‘círculos de integridade’, redes de solidariedade que possam impelir a abraçar e transformar a sociedade com o seu testemunho profético. Os pobres estão no centro do Evangelho, são o coração do Evangelho; se tirarmos os pobres do Evangelho, não podemos compreender plenamente a mensagem de Jesus Cristo. Como embaixadores de Cristo, nós, bispos, sacerdotes e religiosos, devemos ser os primeiros a receber a sua graça reconciliadora nos nossos corações”. Um abraço.

    Um abraço.

   PS1. José Saramago, Nobel de Literatura: “Parece que a honestidade não se usa muito nos tempos atuais”.

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   PS2. Victor Hugo, poeta e dramaturgo: “O homem honesto procura ser útil, o intrigante tenta ser necessário”.

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    PS3. Ivan Teorilang, poeta: “A prática da injustiça, acobertada pela impunidade, é tão nefasta que destrói aquele alento do fundo da alma, para o trabalho honesto, o exercício do bem, promovendo com isto a inspiração maléfi ca para a delinquência, a contravenção e a corrupção”.

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Os papas em Aparecida

 Algumas figuras humanas com as quais tive contato nas visitas que fiz às estruturas de comunicação da Santa Sé

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Os papas e o Santuário de Aparecida

    Como eu deixei avisado aqui, de 26 de abril a 5 deste mês, participo da 55ª. Assembleia da CNBB em Aparecida (SP). Durante esse período, observei que o franciscano dom Leonardo Steiner e o dehoniano dom Murilo Krieger organizaram um volume da coleção “Theotokos”, publicada pelas Edições da Conferência dos Bispos, a respeito dos pronunciamentos dos papas no Santuário de Nossa Senhora em Aparecida. O arcebispo primaz do Brasil, dom Krieger, afirma na introdução do livreto que os textos dos papas, ou seja, do Magistério da Igreja, nascem de uma constatação, fundamenta- se numa certeza e tem um objetivo. A constatação é de que Maria é membro eminentemente e inteiramente singular da Igreja. A certeza é de que Jesus Cristo é o nosso único mediador e a figura de Maria não ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo. E para apresentar o objetivo, o arcebispo de Salvador (BA) recorre à Lumen Gentium, documento do Concílio Vaticano II, n. 54: “Nós queremos descobrir cada vez mais o ‘papel da Virgem Santíssima no mistério do Verbo encarnado e do Corpo Místico, mas também os deveres dos homens resgatados para com a Mãe de Deus, Mãe de Cristo e Mãe dos homens, sobretudo dos fiéis’”.

    São João Paulo II

    O papa polonês que se tornou santo visitou Aparecida em julho de 1980. Como era de seu costume, especialmente no início do seu pontificado, João Paulo II trouxe uma mensagem teologicamente densa sobre Nossa Senhora: “Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para Aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a ‘Estrela da Evangelização’, como lhe chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de Salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto inumano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história inumana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da Salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade salvífica”.

    Papa Bento XVI

    Em 2007, por ocasião da V Conferência do episcopado latino- americano e caribenho, o Papa Bento XVI também visitou o Santuário de Aparecida e nos deixou uma linda oração mariana depois da recitação do Rosário no dia 12 de maio: “Mãe nossa, protegei a família brasileira e latino-americana! Amparai, sob o vosso manto protetor, os filhos dessa Pátria querida que nos acolhe, vós que sois a Advogada junto ao vosso Filho Jesus, dai ao povo brasileiro paz constante e prosperidade completa. Concedei aos nossos irmãos de toda a geografia latino-americana um verdadeiro ardor missionário irradiador de fé e de esperança. Fazei que o vosso clamor de Fátima pela conversão dos pecadores, seja realidade, e transforme a vida da nossa sociedade, e vós que, do Santuário de Guadalupe, intercedeis pelo povo do continente da esperança, abençoai as suas terras e os seus lares, Amém”.

    Papa Francisco

    Antes de dar início à Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, poucos meses depois de ter sido eleito, Papa Francisco fez questão de visitar Aparecida e lembrou quando ainda cardeal de Buenos Aires, que esteve presente na V Conferência: “Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: ‘Mostrai-nos Jesus’. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria”.

    Um abraço.

   PS1. O Ano Nacional Mariano, decretado pela CNBB, tem ainda várias celebrações pelo Brasil afora e se encerra em outubro, no dia da Padroeira.

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   PS2. Pela primeira vez na história da Rede Globo de Televisão, houve uma autorização para se veicular uma novela sua em um canal que não faz parte do seu grupo. A TV Aparecida está exibindo “A Padroeira”.

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    PS3. Nossa Senhora Aparecida está entronizada em várias igrejas e catedrais do mundo inteiro. Há um nicho seu na catedral de Praga, na República Checa e no Santuário de Fátima, em Portugal, por exemplo.

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Assembleia da CNBB

 Algumas figuras humanas com as quais tive contato nas visitas que fiz às estruturas de comunicação da Santa Sé

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Assembleia da CNBB

    No final do mês, vou colaborar na equipe de Assessoria de Imprensa de mais uma assembleia dos Bispos em Aparecida (SP). No ano passado, estive lá na condição de colaborador externo e volto agora como o coordenador do trabalho. De todo jeito é sempre um grande desafi o. Afi nal, estão reunidos para quase 10 dias de encontro os mais de 300 bispos que atuam nas arquidioceses, dioceses, prelazias, eparquias e uma exarquia do País. A reunião também acolhe a participação de dezenas de bispos eméritos, isto é, aqueles pastores que já se aposentaram. O trabalho da comunicação durante esse grande encontro se divide em basicamente três partes principais: a cobertura jornalística do evento, o atendimento à imprensa católica e laica que tem interesse no evento e a coleta de depoimentos e fotos de bispos que não participam de reuniões em Brasília durante o ano porque não pertencem aos conselhos da entidade. Uma equipe pequena assume essa tarefa: três jornalistas e um fotógrafo que também é repórter cinegrafi sta. A rotina é bem pesada: começa antes da sete da manhã e só termina no começo da noite quando os bispos deixam o Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho e voltam para o Hotel Rainha do Brasil onde se hospedam

    Hotel Rainha do Brasil

    Os assessores e funcionários da CNBB que trabalham na assembleia fazem as refeições junto com os bispos no hotel do Santuário Nacional. Um lugar muito acolhedor. A construção desse lugar foi fruto do empenho dos nossos confrades da Província de São Paulo, especialmente do então reitor do Santuário, padre Darci José Nicioli, hoje arcebispo de Diamantina, em Minas Gerais. Dom Darci é bem festejado ainda hoje nos corredores do hotel. Nas vezes em que eu tive a oportunidade de acompanhá-lo por lá fui testemunha do entusiasmo dos hóspedes querendo abraçá-lo e, claro, pedindo para fazer uma selfi e com ele. Além do clima geral que remete ao universo da nossa congregação, no pátio do hotel, encontra-se outra marca redentorista: um grande auditório dedicado a Santo Afonso Maria de Ligório, nosso fundador. Nesse salão com centenas de lugares, no dia 28 de abril, as 21h30, será projetado o programa de TV que gravamos em Trindade com cerimônia de entrega dos prêmios de comunicação da CNBB. Creio que será uma boa oportunidade de testemunharmos uma expressão da colaboração da nossa Província de Goiás e a de São Paulo para a Conferência dos Bispos do Brasil.

    Santuário Nacional

    Todas as manhãs, o episcopado vai se reunir no Santuário de Nossa Senhora Aparecida para a celebração da Eucaristia. Neste ano, eles devem respirar uma atmosfera diferente por se tratar do Ano Nacional Mariano que prepara as comemorações dos 300 anos do encontro da imagem no Rio Paraíba. Quem tiver a possibilidade de acompanhar pela TV essas celebrações vai poder ver o conjunto formado pelos nossos pastores em oração pelo nosso Brasil. Em cada um dos dias da assembleia geral, a celebração matinal lembra uma motivação especial: indígenas, negros, bispos eméritos e outros. Num desses dias, o Núncio Apostólico costuma presidir a Eucaristia. Ele representa a presença do Papa no momento em que os bispos param para refl etir e rezar. A transmissão da missa também exerce importante papel no quadro dos objetivos da assembleia geral porque se torna o momento em que o episcopado se apresenta, por assim dizer, ao povo brasileiro para dar testemunho da missão que cada bispo exerce em sua Igreja Particular. É um retrato da colegialidade e da fraterna convivência dos sucessores dos apóstolos.

    Comunidade Redentorista

    Esse tempo em Aparecida traz sempre a oportunidade de conviver com os confrades de São Paulo que são sempre gentis e acolhedores. Da minha parte, fico até sem jeito para descrever o que sinto nesses períodos que passo trabalhando em Aparecida. Sinto que somos irmãos. Sinto que há sempre uma consideração manifestada pelo cuidado em saber se as coisas estão indo bem. Eu já tive oportunidade de trabalhar para a CNBB em três ocasiões na assembleia desfrutando da hospitalidade da comunidade das comunicações e foram experiências fraternas inesquecíveis. Espero poder me encontrar com os confrades e poder conviver com eles renovando a nossa vida de família redentorista.

    Um abraço.

   PS1. Um dia, ao menos, durante a assembleia eu aproveito para participar do momento de recreio fraterno da comunidade redentorista do Santuário Nacional.

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   PS2. No ano passado, convivi também com uma das minhas irmãs de sangue que fazia um trabalho de vendas na área das editoras do centro de eventos durante a assembleia. Este ano ela não vai! Pena.

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    PS3. O Ir. Diego Joaquim, confrade da Província de Goiás, também costuma ajudar na cobertura jornalística da assembleia. Neste ano, não estará ‘in loco’, mas comunicará o que nela acontece aos ouvintes da Rádio Difusora e Rede Pai Eterno.

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Gente que faz comunicação no Vaticano

 Algumas figuras humanas com as quais tive contato nas visitas que fiz às estruturas de comunicação da Santa Sé

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Paloma Garcia Ovejero

    Estive em Roma durante quase todo o mês de janeiro. Aproveito, então, aqui na correspondência mensal, para destacar algumas figuras humanas com as quais tive contato nas visitas que fiz às estruturas de comunicação da Santa Sé. A primeira delas é uma espanhola falante, esperta, cheia de novidades. Paloma Garcia Ovejero é a vice-diretora da Sala de Imprensa. Conversamos por quase duas horas e ela me explicou o que tem feito na companhia do norte-americano Greg Burke depois que substituíram o Pe. Federico Lombardi naquele espaço de encontro de jornalistas do Vaticano. Gostei dela (eu sei... vão dizer que ela é da Opus Dei). Ela me disse que fi zeram mudanças signifi cativas na política de promover Entrevistas Coletivas. Sempre fi quei muito preocupado com isso porque considero que o recurso é banalizado. Eles, agora, selecionam os assuntos e não fazem Coletivas como antes e aconselham os entrevistados a não levar textos escritos. Isso evita que os jornalistas se sintam uns idiotas seguindo a leitura de um texto que eles têm nas mãos. Outra coisa importante: para assuntos considerados de menor interesse geral promovem pequenas reuniões, “meeting points”, deixando para que somente os jornalistas que se interessam por temas específi cos se apresentem para esses encontros. No fi nal da visita, pedi para fazer uma foto, ela me disse que faria se eu não colocasse nas redes sociais. Não entendi bem a razão de um pedido desses vindo de uma pessoa que exerce uma função pública. Em todo caso, cumpro o prometido e a fotografi a dela que você vê em cima da minha carta não é minha e está disponível no Google.

    Monsenhor Lucio Ruiz

    DLevei na viagem comigo uma carta do Cardeal arcebispo de Brasília me apresentando aos ofi ciais da Secretaria de Comunicação da Santa Sé e este documento me garantiu a abertura de muitas portas. Fui recebido três vezes pelo secretário do novo dicastério dedicado à comunicação, Monsenhor Lucio Ruiz. Ele é simpático e um entusiasta quando trata de falar das mudanças promovidas pelo Papa Francisco no campo da comunicação dentro das estruturas do Vaticano (eu sei... alguém vai me lembrar que ele é argentino como o Papa). Ele é um especialista em Tecnologia da Informação (TI) e em administração por uma universidade Politécnica de Madri, na Espanha. Sempre acompanhado por um staff composto por leigos especialistas, ele fala das novas iniciativas com muita propriedade. Ele repetiu, no entanto, que todo o trabalho que está sendo feito para mudar as estruturas e as políticas de comunicação do Vaticano atualmente obedece ao princípio: “user fi rst”. Isto signifi ca que a linguagem, o canal, o tempo e tipo de informação que será produzido a partir de agora sobre o Papa e sobre a Igreja terá como parâmetro o que interessa à conteúdo – que é o de sempre – mas, sobre a forma de produzir e distribuir informação. Monsehor Ruiz mesmo marcou um encontro nosso com o Prefeito da Secretaria: Dario Viganó. Foi um encontro agradável, pois esse italiano que nasceu no Rio de Janeiro tem grande apreço pelas coisas que se faz em português na Santa Sé.

    Padre Renato dos Santos

    O mais interessante contato que fi z durante esta visita, no entanto, não teve nada que ver com as novas equipes de comunicação da Santa Sé. Eu tive a felicidade de conhecer as instalações da Tipografi a Vaticano, onde o padre Renato dos Santos, um supersimpático paranaense de Guarapuava, é o diretor técnico. Conheci onde estão as velhas máquinas e as “modernas” impressoras (eu sei... podem dizer que o parque gráfi co está meio obsoleto). Padre Renato nos mostrou um departamento da Tipografi a onde se faz, ainda hoje, um mundo de coisas manuais para completar a produção de documentos, aliás, ele nos disse que tudo que é publicação que vai para as mãos do Santo Padre tem acabamento manual. No fi nal da visita ao prédio que, no passado, foi a estrebaria onde se deixavam os cavalos da corte papal, ele nos levou à singela comunidade dos salesianos que fi ca no andar superior. Lá, ele nos ofereceu um lanche maravilhoso com um panetone espetacular e ainda me deu a alegria única de conhecer o terraço de onde se pode ver toda a composição dos prédios do Vaticano que fi ca do lado direito de quem olha da Praça de São Pedro para a Basílica. Lá estão o Palácio Apostólico com suas “loggias”, o prédio do IOR, Banco do Vaticano, onde no passado foi um cárcere. E onde também fi cam os prédios residenciais da Guarda Suíça: um bloco para casados, outro para solteiros. Antes de nos despedir ganhei um precioso volume que reúne os discursos feitos pelo Papa Francisco aos bispos publicado por ocasião do seu aniversário de 80 anos.

    Vincenzo Corrado

    Nem só de Vaticano me ocupei nos 17 dias que passei na cidade eterna. Eu tinha também a missão de conhecer como funciona a agência de notícias da Conferência Episcopal dos Bispos da Itália. Fui recebido, com muita simpatia, pelo novo diretor do Servizio Informazione Religiosa, SIR, Vincenzo Corrado. Conversamos longamente sobre a questão do fato religioso que se torna notícia e ele me fez ver como organizam a produção e distribuição de informação na Itália (eu sei... alguém pode achar que não se compara com a realidade brasileira). O trabalho que eles fazem tem um foco preciso e é efi caz: alimentar os jornais e revistas das dioceses italianas com conteúdo formativo e informativo.

    Um abraço.

   PS1. Em todas as visitas que fiz no Vaticano, fui acompanhado pelo generoso Silvonei José, jornalista, doutor em comunicação, docente nas Universidades Gregoriana e Urbaniana e professor de português na Embaixada do Brasil.

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   PS2. Durante todo o tempo pude desfrutar da acolhida e da hospedagem na Casa Generalizia dos Missionários Redentoristas e da companhia dos brasileiros, especialmente dos dois irmãos da Província de Goiás, Michael e Marcus Vinicius.

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    PS3. Na volta para o Brasil passei 3 dias em Lisboa para conhecer a estrutura e o trabalho da agência de notícias da Conferência Episcopal dos Bispos de Portugal, a agência Ecclesia.

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2017: ano melhor na economia, política, cultura e Igreja

 Você sabe: muita gente, durante o mês de dezembro, gosta de apreciar listas de “melhores do ano”.

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    2017: ano melhor na economia!

    Espero que o tempo que você tira para ler minha carta todo mês tenha mais proveito em 2017. Para isso, vou tentar fazer uma mescla de observações pessoais com algum tipo de ideia, fato ou personagem que realmente faça alguma diferença. Eu conheço escritores que escreveram cartas densas, iluminadas, estilosas. Cartas que são legítimas e encantadoras obras literárias. Eu jamais chegarei perto disso. Gosto mais de escrever como o jornalista que vai recolhendo informações e fazendo “costuras” para contar histórias, chamar atenção para alguma coisa que pareça valer o tempo do leitor. Começo com uma provocação. Vocês acham que 2017 será um ano terrível, cruel, assombroso? Eu não. Conhecem a história do milagre de San Gennaro? Venerado desde o século V, o sangue do padroeiro de Nápoles, a cidade aonde nasceu Santo Afonso de Ligório, nosso fundador, se liquefaz em algumas datas do ano. No último dia 16 de dezembro, o milagre não se repetiu depois de mais de três décadas. Há quem diga que isso é um mau presságio. Desconjuro. O economista Ricardo Amorim (eu sei... tem gente que diz que ele é “coxinha”, neoliberal...) autor do livro “Depois da Tempestade” (Prata Editora, 2016) diz que este ano começa com uma expectativa de crescimento melhor do que tínhamos em janeiro do ano passado! Vou acreditar.

    2017: ano melhor na política!

    Defendo essa posição pelo simples fato de não conseguir pensar em algo pior do que aconteceu em 2016. Sinto que foi o fim do fim. É preciso que, daqui para frente, prossigamos no expurgo. Em nosso ambiente católico, muita gente gosta de lembrar da doutrina do Purgatório. Tomemos essa realidade como exemplo do que estamos vivendo. E consideremos o expurgo de um hospital. Talvez, tenhamos que levar em conta cuidados semelhantes em relação à política brasileira. No hospital, o setor de expurgo é o responsável por receber, conferir, lavar e secar os materiais provenientes do centro cirúrgico e das unidades de Internação. Atenção: lembremo-nos da lavajato. Saber, conferir, refletir. Os funcionários do setor de expurgo do hospital utilizam equipamentos de proteção individual para se protegerem de se contaminarem com sangue e fluidos corpóreos, quando lavam os instrumentais. Atenção: racionalidade, empenho e distância de paixões por nomes e siglas. E, por fim, as lavadoras ultrassônicas auxiliam na lavagem dos instrumentais através da vibração do som adicionado com solução desincrostante, promovendo uma limpeza mais eficaz e com maior segurança. Corrupção é coisa perigosa. Contamina. Toda atenção é bem-vinda. O juiz federal Sergio Moro, de qualquer modo, representa esse expurgo (eu sei... tem gente que diz que ele só vê corrupção no PT).

    2017: ano melhor na cultura!

    Visitei Dublin, na Irlanda, no verão de 1991, quando a cidade era a “capital da cultura” da União Europeia. Uma iniciativa interessante que se realiza desde 1985. Os organizadores reúnem numa mesma cidade grandes linhas de sua vida e desenvolvimento cultural com o compromisso de chamar a atenção da comunidade continental. De algum modo esse rodízio “respinga” no resto do mundo. Numa certa altura, nessas últimas décadas, passaram a escolher duas capitais por ano. Em 2017, teremos alguma notícia de Aarhus, na Dinamarca e Pafos, em Chipre (eu sei... tem gente que diz que tenho mania de citar coisas internacionais). Mas esta última é uma cidade com um pouco mais da metade da população de Inhumas (GO) e foi um dos mais célebres centros de peregrinação no período antigo do mundo grego pois acreditava-se que lá teria nascido a deusa Afrodite. Lembram-se dessa deusa na mitologia grega? É a deusa do amor, da beleza e da sexualidade, responsável pela perpetuação da vida, do prazer e da alegria... querem mais?

    2017: ano melhor na comunidade de fé!

    No exercício da função que tenho na Conferência dos Bispos do Brasil, no mês passado, dialoguei com uma jornalista da Folha de São Paulo que se perguntava se a Igreja não estava preocupada com uma pesquisa do instituto do jornal dela que dava mais um sinal de queda do número de pessoas que se declaram católicas. Lembrei- me do Papa Francisco que fala de amor e de alegria e fi co com aquilo que li no artigo do Frei Betto (eu sei.. tem gente que acha que ele é pouco católico e petista) na edição do mês passado do Le Monde Diplomatique: “Não nos iludamos: a história não segue em movimento linear. Por vezes, retrocede. E aquilo que foi ainda será se não lograrmos predominar a concepção de que o amor – que não conhece barreiras e ´tudo tolera´, como diz o apóstolo Paulo – deve sempre prevalecer sobre a fé”.

    Um abraço.

   PS1. Papa Francisco não virá ao Brasil este ano, mas já está confi rmadíssimo que ele irá a Fátima, em Portugal, no mês de maio para celebrar os 100 anos da aparição de Nossa Senhora.

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   PS2. Tem gente achando que este ano será fabuloso por causa da maioria dos feriados coincidir com dias úteis, o que signifi ca que, teremos várias edições do famoso invento brasileiro chamado “feriado prolongado”.

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    PS3. E, claro, o Ano Mariano continua até a celebração solene dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba, em São Paulo.

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Personagens do ano

 Você sabe: muita gente, durante o mês de dezembro, gosta de apreciar listas de “melhores do ano”.

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Você sabe: muita gente, durante o mês de dezembro, gosta de apreciar listas de “melhores do ano”. Vou arriscar fazer uma aqui na nossa carta mensal. Peço que você considere que meu olhar está vinculado ao meu trabalho permanente no campo da comunicação e, por isso mesmo, meus “eleitos” têm algo a ver com um cenário mais geral e construído pela midiatização reinante em nossos dias. O meu esforço, no entanto, para não aborrecer você, será o de tentar surpreender. Vou tentar “arrancar” personagens que tiveram sua atuação subvalorizada em cenários de quatro campos da nossa realidade: política, economia, cultura e religião. Começo a lista indicando uma pessoa que inspirou e inspira políticas de combate à violência contra as mulheres: Maria da Penha. Indagada sobre o fato de que as mulheres estão sempre à frente de movimentos políticos de defesa de direitos, ela respondeu: “Uma vez minha fi lha falou que a mulher é a árvore da casa. Ela sustenta todos os galhos. E é verdade. E, na luta da comunidade, também você vê que tem mais mulheres à frente. Porque aquela é sua casa, é sua história, é sua vida”.

    Minha escolha no campo da economia é uma fi gura pouco conhecida: Marcos Lisboa. Ele é ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e preside um instituto que se ocupa da formação e de pesquisa sem fi ns lucrativos no campo da economia. Gosto dele porque ele tem uma posição equilibrada dentro do festival de besteiras que tem tomado conta da sociedade brasileira na era pós-PT. Ele sabe que é preciso fazer ajustes fi scais e progredir na busca de solução para a dívida pública e suas consequências nefastas, mas tem consciência de que não se faz isso penalizando ainda mais os pobres. Em entrevista ao jornal O Globo, quando tratava dos problemas criados pela Proposta de Emenda Constitucional que regula gastos públicos, ele disse: “Temos que separar saúde básica e educação básica do resto. Estou falando de gastos com professores, salas de aula e escolas do ensino médio e fundamental. Também temos que separar as políticas de transferência de renda para a população mais pobre, como o Bolsa Família. O Banco Mundial tem dados que mostram que, no Brasil, os gastos com os 10% mais pobres correspondem a 16,4% do total das despesas federais. Isso é pouco. Ou seja, os mais pobres custam menos e precisam ser preservados”.

    Escolho um poeta com o qual convivi – virtualmente – o ano inteiro para colocar na minha lista representando a cultura. A leveza, o foco temático e a profundidade de sua poesia têm feito de mim um “seguidor” dele nas redes sociais. Não posso ver um sinal de seus webcards – sempre com um fundo branco, poucas palavras e uma tipografia informal – que eu corro para ler qual foi a sua última “sacada”. Estou me referindo a um poeta que mora em Goiânia e, inclusive, tem coluna fixa no Jornal “O Popular”. Trata-se de Lucas Brandão, ou como ele mesmo se apresenta e é reconhecido: “Lucão”. Neste ano de 2016, ele fez o caminho de São Tiago de Compostela, na Espanha. Acompanhei passo a passo. Quando ele passou por Astorga, mandei mensagem dizendo a ele para que passasse na casa de acolhida dos redentoristas. Ele me respondeu que já havia combinado de passar em outro lugar, mas foi gentil. Gostei. Um dos poemas dele que me iluminaram este ano é curtinho e delicioso: “Ao menor sinal de amor, retribua”.

  A minha última escolha responde pela personagem do mundo religioso. Papa Francisco é imbatível, mas é hors concours. Vou trazer uma personagem que nos faz lembrar de valores espirituais de grande importância para cada pessoa, cada família, cada sociedade e o mundo inteiro. No mês de setembro, foi canonizada em Roma, Madre Teresa de Calcutá. O reconhecimento ofi cial de sua santidade é uma renovação do anúncio forte da situação dos pobres. E, no fi nal de novembro, o Papa Francisco instituiu uma data para toda a Igreja que está em consonância com a celebração da santidade dessa mulher extraordinária. Ele criou o “Dia Mundial dos Pobres” que será no 33º. Domingo do Tempo Comum. E o Papa, de qualquer modo, faz a gente se lembrar do apostolado e do testemunho de pobreza pessoal de Santa Madre Teresa de Calcutá. Vale lembrar a razão da criação dessa data para enriquecer a liturgia e a vida de todos os cristãos católicos no mundo inteiro: “Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identifi cou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25,31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refl etir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16,19-21). Além disso, este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11,5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia”. Um abraço.

    Desculpa pela “viagem na maionese” deste mês. Um abraço.

   PS1. A fama das listas de “melhores do ano” não é lá grande coisa, basta ver aquela feita pelos telespectadores do “Domingão do Faustão”, da TV Globo. Premiam como melhor cantor do Brasil, há anos, o mato-grossense do sul, Luan Santana. Tem cabimento?

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   PS2. Na cidade natal do meu pai, Caldas Novas (GO), uma lista de melhores do ano no campo empresarial, uma agência funerária está entre os 10 “melhores do ano”.

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    PS3. O primeiro título da lista dos 100 melhores livros lançados em 2016 segundo o jornal norte-americano The New York Times, é “Beatlebone”, de Kevin Barry. Um livro que combina fantasia e realidade sobre os “Beatles”.

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Profissionais do rádio

 o Parlamento brasileiro nos proporcionou foi um espetáculo histriônico

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Quase não me aguentava de ansiedade para que chegasse o dia de escrever esta carta. A razão dessa “agonia” é que eu queria compartilhar com vocês indicações dos trabalhos de algumas pessoas que conheço sem nunca as ter visto. Eu as conheço pelo rádio. A primeira dessas pessoas me deixou encantado. Conheci no mês passado. Ela tem o nome de uma personagem da história do Brasil Colônia: Inês de Castro. Você lembra de quem ela era? Uma aia de Dona Constança, Rainha de Portugal do século XIV que teve fi lhos do Rei e foi assassinada pelo sogro. A Inês de Castro que eu conheci não tem nada de trágica e é dona de uma voz encantadora. Eu apresento, para quem não conhece, a jornalista responsável pelo quadro “Dentro do Espelho” sobre comportamento, moda e beleza, com um olhar afi ado e questionador na Rádio BandNews. Ela leva o ouvinte a refl etir sobre bem-estar, qualidade de vida, estética e saúde de uma maneira profunda e constante. Mostra que a vida pode ser boa apesar das difi culdades diárias, das imperfeições que todos têm, dos incômodos que nos cercam. E que é missão de cada um extrair o melhor da vida um dia após o outro. Sintonize e tenho certeza de que você vai gostar.

    Para quem não conhece também apresento Luís Fernando Correia que, inicialmente, evitou ser chamado de doutor no quadro “Saúde em Foco” da Rádio CBN. Ele é médico, casado com uma jornalista e gosta imensamente da comunicação em rádio. Ele foi uma das pessoas que carregaram a tocha olímpica no Rio de Janeiro. Eu sigo a página dele no Facebook. No quadro ele dá dicas bem fundamentadas em pesquisa científi ca e com linguagem que a gente entende sobre os principais assuntos de saúde dos nossos dias: dengue, obesidade, pressão arterial e outros. No fi nal do mês passado, por exemplo, ele deu uma informação preocupante: “Pesquisa avaliou mais de 200 alunos em uma escola do Texas, nos EUA. Meninos e meninas de 16 anos que dormiam menos de sete horas por dia apresentavam índice de massa corporal maior do que os que dormiam oito horas”. Esse é o tipo de informação que o Dr. Luís Fernando explica de maneira a ajudar o ouvinte comum a entender bem a gravidade dos fatos e a real esperança de cada conquista científica.

    A terceira comunicadora sobre a qual eu gostaria de compartilhar o trabalho com você não é para recomendar, prefi ro criticar. Ela faz parte do time da Rádio Jovem Pan e é da turma que adora aparecer também no vídeo, mesmo fazendo rádio. Maquiada e com cabelos impecáveis, ela comenta política. Claro que todo mundo associa ao fato de que ela seja apresentadora de televisão, mas o tom moralista e agressivo é ainda mais contundente no rádio. Me refi ro àquela profi ssional que mistura jornalismo com opinião obtusa: Rachel Sheherazade. Concordo com o que a revista Carta Capital afi rmou que no Rádio e na TV acabam dando a essa jornalista uma página em branco e ela aproveita o espaço com estardalhaço escrevendo tudo o que ela conhece sobre o Brasil: nada.

  A outra pessoa que gostaria muito que escutasse faz comentários no espaço de editorial nas emissoras de todo o Brasil que veicula a programação da Rede Católica de Rádio: Ir. Diego Joaquim. Compreendo que pode não ser muito prudente da minha parte elogiar um colega próximo (tão próximo que ele também escreve no Nosso Guia). Pode parecer bajulação, propaganda fora de hora ou até mesmo falta do que dizer. Eu enfrento o risco e destaco o trabalho dele porque se trata de uma expressão poderosa de incentivo às novas gerações. Eu tomei a decisão de citar o Diego porque ele publicou no Facebook no fi nal do mês passado uma foto na qual estamos juntos na sacada da Rádio Vaticano, em Roma, tendo ao fundo o magnífi co Castelo de Sant’Angelo. Quem conhece o lugar sabe que se trata de uma região próxima do Rio Tibre bem no fi nalzinho da Via da Conciliação que leva ao coração da Praça de São Pedro. Naquele post, o Diego menciona sua paixão pelo rádio e insinua que posso ter sido um instrumento no despertar dessa febre que o faz gostar tanto do trabalho nesse instrumento de comunicação. Bom, se estou certo de que ele afi rmou isso, acho que o trabalho dele, feito com perseverança, estudo e qualidade, também pode despertar o amor pelo rádio nos companheiros da idade dele (que devem gravitar entre os 30 e 40 anos) e os jovens mais novos que entram para a Congregação Redentorista e tomam conhecimento de tantas emissoras que estão confi adas à nossa responsabilidade em várias unidades no Brasil e no mundo. O Diego comenta com propriedade assuntos atuais da política brasileira. Uma tarefa árdua que requer atenção redobrada com cada fato, personagem e desdobramento e, claro, um penoso trabalho de apuração das informações para que nada seja dito sem o necessário fundamento. Os comentários dele demonstram seu sério compromisso com a verdade.

    Desculpa pela “viagem na maionese” deste mês. Um abraço.

   PS1. Na Rádio CBN também têm comentaristas da melhor qualidade que tratam de assuntos diversos: O jornalista André Trigueiro tem um quadro sobre mundo sustentável e o educador físico Marcio Atala fala de saúde e movimento.

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   PS2. Entre os comentaristas interessantes da outra rede de rádios com notícias 24 horas por dia, a BandNews, há nomes como o engraçado José Simão com coluna de humor e a conhecida Mônica Bergamo que fala de bastidores do poder.

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    PS3. Curiosidade: Eu precisaria escrever várias laudas para tentar falar da importância fundamental que tem até mesmo para a história do rádio católico no Brasil e em Goiás se tivesse citado o comentarista hor concurs: Pe. Jesus Flores.

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Primavera

 o Parlamento brasileiro nos proporcionou foi um espetáculo histriônico

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    No finalzinho do mês passado, me veio uma ideia para compartilhar na carta de outubro com você: a primavera. Eu sei que o início dela já se foi, mas a estação permanece até 22 de dezembro. Eu fi quei pensando no signifi cado que fomos dando, com o passar do tempo, a esta palavra que sugere tanta coisa bonita. Vou escolher quatro aspectos mais comuns: as flores, a idade, a liberdade e a música. Nem todas as regiões do Brasil celebram a chegada da primavera com uma explosão de fl ores. Eu moro numa cidade particular, planejada, sitiada pelo Cerrado. Brasília dá um espetáculo à parte com árvores e arbustos coloridos. Desde agosto, com a fl oração dos ipês, a cidade já respira um ar primaveril. No topo da minha carta divido com vocês algumas belas fl ores apreciadas por quem anda de carro em Brasília. Eu sinto que as árvores, na verdade, são como as mulheres: umas elegantes, refi nadas; outras mais rebeldes e dadas à moda; algumas são doces e delicadas, outras mais ousadas e exuberantes. Tenho olhado as árvores como olho para as mulheres que conheço. Contemplo a beleza e agradeço a Deus pela riqueza humana que cada uma delas representa. E as árvores de Brasília representam uma diversidade impressionante do mundo feminino. Um outro dia, quero escrever sobre isso. Se você quiser, claro. Se puder, me envie um e-mail e me diga se devo fazer isso, por favor.

    A primavera é facilmente mencionada quando se fala da idade. Muito comum encontrar alguém que prefere dizer, ao invés dos anos que já não tem, das primaveras vividas. Eu já tenho 53 primaveras. Não me lembro de todas, aliás, me lembro de pouquíssimas. Talvez, pelo nosso ciclo de clima, não tenhamos nos educado para prestar atenção nas estações também porque elas não são bem defi nidas. A gente entra no inverno com calor e sai do verão com frio. Árvores ficam nuas na primavera e no outono têm muitas flores. Embaralham-se os sinais e a gente cresce sem saber bem em qual estação nos encontramos. No tempo que vivi na Europa, me impressionava a força da expressão de cada uma delas, especialmente na região em que eu morava: bem urbana, a região da chamada parte Imperial, no centro histórico de Roma, na Itália. Inverno e verão se vive e se morre naquele lugar. Frio e calor com todo o direito que se pode imaginar. No outono, as árvores da nossa rua, a Via Merulana, fi cam completamente peladas e, na primavera, acaba faltando lugar para colocar tantas fl ores. Na Villa dos Redentoristas, então, nem se fala. Em todos cantos se encontram fl ores. Elas parecem nascer em qualquer lugar, até no asfalto. Isso sem falar do cuidado que a prefeitura da cidade tem com os jardins e praças que se tornam mares de fl ores de todas as cores.

    Um sentido político dado à palavra primavera me agrada muito. Confesso que a primeira vez que ouvi essa associação foi nas aulas de história sobre um evento emocionante, nos tempos do comunismo, ocorrido em Praga, na então Tchecoslováquia. Segundo a Enciclopédia, esse período começou em 5 de janeiro de 1968, quando o reformista eslovaco Alexander Dubček chegou ao poder, e durou até o dia 21 de agosto quando a União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram o país para interromper as reformas. Aquela “primavera” signifi cava uma sorte de questionamentos sobre uma ideologia fechada e que insistia em permanecer imune aos regimes do Ocidente. Mais recentemente, aprendemos também a chamar o movimento popular que começou a questionar os regimes fechados do norte da África e do Oriente Médio de “primavera árabe”. Esse foi também um movimento libertário. Quem se dedicou a defi nir o fenômeno dessa “primavera” o caracteriza como uma onda revolucionária de manifestações e protestos ocorridos a partir de 18 de dezembro de 2010. Houve revoluções na Tunísia e no Egito, uma guerra civil na Líbia e na Síria; também ocorreram grandes protestos na Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Omã e Iémen. Além disso, também foram realizados protestos menores no Kuwait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão e Saara Ocidental.

  Na música, a primavera faz festa. Sempre mencionada para tratar de tempos em que o amor é vivido em profundidade. Eu me lembro de uma canção que talvez você também a tenha no ouvido quando se trata de invocar a primavera. Ouço o grande Tim Maia meio que gritando: “É primavera! Te amo!”. Outra que só os mais antigos podem recordar com mais facilidade é uma música do Beto Guedes, “Sol de primavera”. A letra é um poema à vida e ao amor: “Já sonhamos juntos. Semeando as canções no vento. Quero ver crescer nossa voz. No que falta sonhar. Já choramos muito, muitos se perderam no caminho. Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer sol de primavera. Abre as janelas do meu peito. A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender”. A primavera está aí, de novo! É bom cantar, é bom viver, é bom amar!

    Desculpa pela “viagem na maionese” deste mês. Um abraço.

   PS1. Um livro que merece ganhar algumas horas da sua vida e que trata da primavera com um sentido: “Primavera silenciosa” de Rachel Carson. O livro, publicado em 1962, levou à proibição de venenos na agricultura dos EUA.

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   PS2. Sua pesquisa: no tocante à astronomia, a primavera ocorre no equinócio de setembro (momento do ano em que o dia e a noite possuem a mesma duração, 12 horas cada).

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    PS3. Curiosidade: – Existe um time de futebol na cidade de Indaiatuba (interior de SP), cujo nome é uma homenagem a esta estação do ano. É o Esporte Clube Primavera.

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No meu facebook

 o Parlamento brasileiro nos proporcionou foi um espetáculo histriônico

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Eu evitei, até agora, tratar com você do processo político que impediu a presidente da República a prosseguir seu mandato até o término normal em dezembro de 2018. Fico apenas na sensação generalizada de que estamos à mercê de gente sem respeito pela nossa inteligência e pela nossa paciência. Independente de quem se posicionou contra ou a favor, o que o Parlamento brasileiro nos proporcionou foi um espetáculo histriônico. É impressionante como esses senhores e essas senhoras consideram o povo brasileiro quando pensam que são eles que devem nos dizer o que é correto e legítimo. E para demonstrar esse pensamento desfi lam ataques estúpidos, discursos vazios, agressões ensaiadas. De parte a parte, reina a arrogância. Vencedores e perdedores são vítimas do orgulho em pretender ser “senhores da verdade”. E em suas falas, vão se rebaixando a ponto de nos dar asco, vergonha. Eu publiquei no meu perfi l do Facebook um desabafo a respeito dos escrúpulos que todo esse processo produzia em mim. Não me excluo e nem quero dar lição de moral. Tomei as palavras de um jornalista italiano Curzio Malaparte: “Eu não gosto de assistir o espetáculo da baixeza humana. Sinto repugnância em fi car sentado como um juiz ou como um espectador olhando para as pessoas à medida que elas descem os últimos degraus da abjeção: eu sempre tenho medo que elas se voltem, olhem para mim, e me deem um sorriso”.

    Também lá no Face, dentro desse processo vivido como quem acompanhou diariamente os debates sobre o chamado “impeachment”, compartilhei um pensamento do controverso fi lósofo da “Morte de Deus”, Friedrich Nietzsche: “É preciso ser um mar para acomodar um rio lamacento, sem escurecer”. Eu não sei em que obra ele escreveu isso, mas confi o na minha fonte. Copiei o pensamento de uma página italiana que coleta fatos e pensamentos com um profundo compromisso com a verdade. Lá na Itália, no começo da década de 1990, uma grande editora publicou toda a obra do Nietzsche e eu comprei cada volume por menos de 10 mil liras (não havia ainda o Euro) e eu não sei bem o quanto seria em valores atuais, mais sei que 10 mil liras dava para pagar dois cafés no barzinho perto da casa que eu morava. O fi lósofo tem uma percepção percepção bem negativa da cultura, da religião. Quem o conhece sabe disso, mas essa frase dele nos coloca bem dentro do sentimento que muita gente teve nesses últimos meses em que tivemos de assistir a prisões, discursos, mentiras, traições, exibições de pessoas que se apresentam como símbolos de honestidade. Passar por tudo isso e ainda conseguir manter a crença em convivência social sob a regência da democracia custa um bocado.

    Outra postagem que fi z e me parecia oportuna foi de uma frase de um polonês que mudou o jeito de se lidar com os maiores temas da sociedade do nosso tempo. Ele trata de política, de economia, de cultura, de comportamento e de tantos outros temas considerando um único conceito que tomou conta de tudo: a liquidez. Não temos mais nada sólido. Tudo escapa entre os dedos. Eu postei uma frase que também me parecia ter muito a ver com os posicionamentos e as palavras que “martelavam” a cabeça dos brasileiros durante esse tempo do processo de “impeachment”. Uma frase do sociólogo polonês radicado no Reino Unido, Zygmunt Bauman: “Diante de nós, temos desafi os de uma complexidade que parece insuportável. E, assim, aumenta o desejo de reduzir essa complexidade com medidas simples, instantâneas. Isso faz crescer o fascínio de ´homens fortes´, que prometem – de modo irresponsável, enganoso, bombástico – encontrar aquelas medidas, resolver a complexidade. ´Deixem comigo, confi em em mim´, dizem, ´e eu vou resolver as coisas´. Em troca, pedem uma obediência incondicional”. Ele falou isso numa entrevista concedida ao jornal milanês Corriere dela Sera.

  E, para não voltar mais nisso, encerro minha carta deste mês trazendo ainda uma última postagem no Facebook (meu perfi l lá é www.facebook.com/rafael.v.silva). Creio que é preciso dar um passo adiante. Arcar com as consequências do que foi feito, mas não esquecer que somos os agentes, os sujeitos, os construtores do presente e do nosso futuro. O que ocorreu, por pior que tenha sido, é passado. Recolhi uma frase do célebre advogado Sêneca que morreu em Roma na época de Cristo: “Para sermos felizes, nós precisamos eliminar duas coisas: o medo de um futuro ruim e a memória de um passado ruim; esse último não nos interessa mais e o primeiro ainda não nos diz respeito”.

    Desculpa pela “viagem na maionese” deste mês. Um abraço.

   PS 1: O senador romano Cícero dizia: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós a tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia desenfreada?”.
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    PS 2: O ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, Winston Churchill: “Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”.
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    PS 3: E Albert Einstein: “O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado
como indivíduo e nenhum venerado”.

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Compartilhando com você

 Vou compartilhar isso na cartinha do “Nosso Guia”

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Ouvi uma coisa no mês passado e, na hora, me lembrei de você. Pensei assim: vou compartilhar isso na cartinha do “Nosso Guia”. Sabe o que foi? Uma comentarista de rádio que também é pesquisadora na área de Educação, Paula Louzano, que atualmente mora e estuda na Califórnia, contou num programa de notícias que a Inglaterra e os Estados Unidos estão adotando o chamado “Método de Xangai” para alunos do Ensino Fundamental aprenderem matemática. Um jeito novo e definitivo de se aprender ciência exata. Os chineses dão um show de criatividade e eficiência. Para fazer com que os alunos aprendam, os professores colocam os alunos em carteiras organizadas dentro da sala, de modo que um sinta que está trabalhando com o outro e não competindo com o outro. E o método prescreve que seja dada uma aula inteira a cada conteúdo da matemática. E, para garantir que todos os alunos aprendam o conceito ensinado naquele dia, nenhum novo conteúdo é iniciado enquanto os alunos ainda tenham dúvidas – para seguir em frente, todos precisam ter compreendido a teoria. É revolucionário e não se gasta semanas repetindo procedimentos para decorar fórmulas. Vale a pena pesquisar mais sobre esse método. Fica a dica.

    A pesquisadora que falou dos chineses no Rádio mora em uma das cidades da região chamada de “Vale do Silício”, na Califórnia. Nos idos anos de 1990, estive lá por perto, várias vezes. Naquela época fiz de tudo: tentei aprender inglês (e nunca consegui) frequentando uma High School por 7 meses; comecei um programa de Rádio numa emissora de Morgan Hill dirigido à comunidade dos portugueses; dei cursos de Teologia Moral para leigos em diversas cidades da Diocese de Oakland; lancei meu primeiro livro na Universidade de Santa Clara e no famoso campus de Berkley da University of California; rezei muitas missas e fiz muitos amigos. Entre eles, estão dois que mudaram minha vida para sempre. Um me levou ao outro. O Pe. Bernardino Andrade, um missionário português da Ilha da Madeira, que gastou seus melhores anos na lida dura da pastoral entre os portugueses, e a senhora Maria Alcorta, a quem devo quase tudo o que consegui fazer nessa minha luta de vida. Quando os encontrei, eles estavam acompanhados pelo Pe. José Marins e lá naquelas duras terras do “imperialismo cruel” plantavam sementes das comunidades eclesiais de base. Dá para acreditar? Pois é. Foi assim.

    Naqueles tempos, entrar nos Estados Unidos era uma aventura para poucos. Eu estudava na Itália e meu primeiro visto americano foi tirado em Roma. Era um “Deus nos acuda” explicar para a imigração a razão de estar chegando na América dos sonhos com aquele visto. Achavam que eu estava tentando dar o golpe e pouco adiantava eu dizer que era padre. Os questionamentos, em inglês, era uma tortura para mim. Ainda assim, fui lá várias vezes e numa delas para visitar uma professora dos tempos de criança lá na minha terra: a americana mais brasileira que conheço. Uma amiga de coração enorme, de cabeça linda, mãe de uma família encantadora. Ela ama Minas Gerais, pois lá nasceram seus três filhos queridos. O nome dela é Nancy Booth. Conhecida dos Missionários Redentoristas que foram pioneiros na antiga Prelazia de Rubiataba.

   E foi justamente na companhia do Yves, um dos filhos da Nancy, que eu tomei coragem para pegar um ônibus numa cidadezinha perto de Boston e ir conhecer a cidade mais incrível do mundo: Nova York. Saímos de madrugada de casa, viajamos algumas horas e fomos recebidos por um amigo salesiano que não vejo desde aquela época. Andamos a pé e de metrô em Manhatan, fomos ver a estátua da Liberdade lá no meio do Rio Hudson e, claro, visitamos o “topo do mundo”, como eram chamadas as torres gêmeas do World Trade Center, alvo dos terroristas em 11 de setembro de 2001. Temos fotos bonitas tiradas no deck de uma das torres e no Central Park num belo dia de sol. Velhos tempos, belos dias.

    Desculpa pela “viagem na maionese” deste mês. Um abraço.

   PS 1: Nos anos de 1990, também tive a alegria de trabalhar em duas Copas do Mundo. Fiz parte das “Feras do Kajuru”, nos Estados Unidos. E preparei o trabalho da equipe do Adolfo Campos, na França, em 1998.
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    PS 2: Também daquele tempo trago os meus dois títulos de pós-graduação: um mestrado em Teologia Moral e um diploma Master em Jornalismo de Televisão, obtidos na Itália.
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    PS 3: Ah, ainda uma última coisa: já fui “doutorando”. Iniciei os estudos do Doutorado, registrei minha Tese e frequentei as disciplinas definidas pelo meu orientador, querido Pe. Sabatino Majorano. Vim para o Brasil “fazer pesquisa” e nunca mais retomei. Jubilei. Paciência.

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Mês de julho em Aparecida

 A chamada “opinião pública” gosta mais de mesóclises, né?!

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Você acredita que somente agora, com 53 anos de idade, descobri que tenho abundantes possibilidades de ser vítima de uma doença que me atinge desde a infância? Ouvi, no Rádio, no final do mês passado, uma longa explicação do psiquiatra do que seria o quadro clínico da chamada “fobia social”. Dr. Sergio Tamai, da Associação Brasileira de Psiquiatria, explicou os sintomas dessa fobia e todos se encaixam perfeitamente no que sinto desde garoto. E falou do sofrimento que daí decorre. Eu sei muitíssimo bem o que isso significa. Ele falou também que 20% da população brasileira sofre de algum distúrbio fóbico. Dr. Tamai explicou que, na fobia social, a pessoa se sente ansiosa quando se sente observada pelos outros. A pessoa fica insegura, temendo pelo seu desempenho e preocupada com o que poderão pensar dela naquele estado. É claro que eu sei que ninguém está olhando para mim e me avaliando, mas eu sinto medo de policiais, de autoridades, de amigos queridos, de pessoas que admiro. Temo desapontá-las.

    O brasileiro, em geral, também não anda lá muito bom da cabeça. Veja você o que aconteceu com o que a gente costuma chamar de “opinião pública” nos últimos dois meses. Parece que o presidente interino da República, Michel Temer, enfeitiçou o povo. Eu digo isso porque antes dele tomar posse como mandatário maior da nação, alguns assuntos causavam pânico nas redes sociais e levavam as pessoas a hostilizarem a “presidenta”. Agora, os mesmos temas são tratados como “normais” e nada recai sobre a reputação dele. Fico impressionado com uma mudança tão rápida. Veja você: antes dele se podia falar em aumento de impostos? Pois é, agora pode. Antes dele, era permitido falar em elevar o déficit no orçamento geral do país? Então. Agora pode. Antes, alguém se sentia em paz em defender aumentos de gastos do governo? Nem pensar. Agora, cada dia que passa se sabe de reajustes e contratações. E ninguém bate panela, ninguém faz corrente na rede social, ninguém chama o povo para ir às ruas. Vai ver que a chamada “opinião pública” gosta mais de mesóclises, né?!

    Na Festa de Trindade (GO) deste ano tivemos uma novidade interessante na cobertura feita pelas emissoras redentoristas: a participação do jornalista Silvonei José, diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano. Com uma voz que impressionou a todos, esse paranaense de coração grande trabalhou bastante e deixou mensagens de espiritualidade, deu notícias curiosas sobre o cotidiano do Papa Francisco e conviveu com grande alegria na companhia dos voluntários e funcionários. Ele me disse que a Romaria o tocou de forma profunda. Disse que jamais vai esquecer do movimento de romeiros andando pela rodovia que liga Goiânia (GO) a Trindade. Prometeu ajudar a fazer com que o movimento criado pelo Pe. Robson de Oliveira com a súplica “Papa venha a Trindade”, que coletou milhares de assinaturas durante a novena e festa do Divino Pai Eterno, seja conhecido pelo Papa Francisco.

   Neste mês de julho, volto a morar em Aparecida. Realizaremos lá um evento nacional para reunir agentes de pastoral da comunicação de todo o Brasil. Todo esse trabalho está sendo coordenado pelo nosso confrade, o Arcebispo Metropolitano de Diamantina (MG), dom Darci José Nicioli. Representando todos os estados brasileiros e o Distrito Federal, 880 pessoas se inscreveram para o evento. Dois dias antes de começar, vamos nos encontrar com todos os bispos referenciais de comunicação e os coordenadores dos 18 regionais da CNBB. Peço a você e sua família que reze pelo êxito desse nosso encontro que vai terminar dia 17. Continuo em Aparecida até o final do mês porque também vou participar de um Simpósio Nacional de Editores Redentoristas.

    Fique bem e até agosto!

    PS 1: Eu falei de doença na carta de hoje sem nenhuma intenção de preocupar você! Na verdade, compartilhei uma situação que, segundo o médico que citei, é bastante comum e o tratamento é simples.
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    PS 2: Neste mês de julho, vários missionários redentoristas que participaram da Festa de Trindade participam de uma expedição maravilhosa ao Rio Araguaia. Lembrei-me dos idos anos de 1980 quando eu participei dessa caravana, pasme, como um dos cozinheiros!
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    PS 3: A Missão de Trindade volta em pleno vapor depois da festa. O padre Antonio Desidério, coordenador, tem nos dado testemunho vibrante de fraternidade e dedicação ao trabalho! Obrigado, Toninho.

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Celebrações marianas

 chamados a olhar para uma atitude de Maria que muito ensina o comunicador cristão

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Engraçado: mesmo com toda a lamúria sobre a demorada passagem do tempo no mês passado, eu achei que esse abril quase não se encerrava. Acho que foi por causa da saudade. Mudei para Aparecida (SP) e aqui a vida corre com outro ritmo. Esse Santuário enorme com pátios grandiosos faz um balanço como o das ondas do mar. De segunda a sexta parece calmo, quase vazio. No final de semana e feriados, se transforma num lugar movimentado e cheio de gente bacana que gosta de rezar. Dá gosto ver a cara do povo que vem visitar Nossa Senhora Aparecida. O começo do mês era de calor e não dava para respeitar o rigor das exigências de vestimentas muito comportadas para os templos. Todo mundo fazia o que podia para conseguir andar para lá e para cá com bermudas e shorts. Camisetas cavadas e blusas menores. No fi nal do mês, com a queda da temperatura, tudo já volta para seu lugar e aí, nesse quesito, ninguém pode reclamar do modo como os romeiros transitam as naves da Basílica. Driblando o clima, todo mundo quer ver, rezar e olhar mesmo é para o nicho que guarda a Padroeira do Brasil.

    Daqui desse meio do Vale do Paraíba eu acompanhei celebrações em torno de outro título de Maria Santíssima: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Depois de três anos de preparações intensas em todos os continentes da terra, os Missionários Redentoristas celebraram, precisamente, 150 anos daquele dia 26 de abril de 1866, quando o papa Pio IX nos entregou o ícone e pediu que levássemos para todo o mundo esta devoção. Eu tive a felicidade de participar de um grande congresso em preparação para essa data que foi realizado em Campo Grande (MS), no mês de maio de 2014. Naquela ocasião, 102 participantes, provenientes de 28 países, com representantes das 5 Conferências estiveram juntos para refl etir sobre o cumprimento do mandato que nos foi dado pelo Papa. A iniciativa contou com a presença do nosso Superior Geral, Pe. Michael Brehl, do Vigário Geral, Pe. Enrique López e do Coordenador da Conferência de América Latina e Caribe, Pe. Manny Rodrigues, que ajudaram em todos os trabalhos. Esteve presente também meu amigo dos tempos de estudos em Roma, Pe. Ben Ma, Coordenador da Conferência da Ásia e Oceania.

    A história continua com Nossa Senhora. Maio também é dela. E de todas as mães que, na verdade, espelham na própria vida a maternidade que ela vivenciou. Eu gosto da variedade de títulos da Mãe de Deus. E bem no começo do mês, mais precisamente na Festa litúrgica da Ascensão e Dia das Mães, iremos celebrar o Dia Mundial das Comunicações. Este ano, vai coincidir com o Dia da Mães, 8 de maio. E não tem como dissociar o verdadeiro sentido da comunicação cristã da fi gura e do comportamento de Maria. Ela foi a escolhida pelo Divino Pai Eterno para estabelecer com ele um diálogo no qual estaria dependendo o destino da humanidade e do mundo. Uma comunicação da qual brotaria o gesto amoroso da salvação com a encarnação do Verbo. Paradoxalmente, neste ano de 2016, dilacerado por conversas em demasia, por falatório político que humilha o povo brasileiro e por uma comunicação social baseada no sistema econômico que a tudo transforma em espetáculo banal, somos chamados a olhar para uma atitude de Maria que muito ensina o comunicador cristão. A atitude do silêncio. Nossa Senhora do Silêncio, rogue por nós!

   O mês vai terminar com a homenagem à Visitação de Nossa Senhora. Jamais me esquecerei do dia que tive a felicidade de visitar o lugar onde hoje se venera a casa de Santa Isabel nos arredores de Jerusalém, o que seria o cenário da visita de Maria à sua prima Isabel. Na entrada da igreja, construída para lembrar o fato, encontramos o Pai-Nosso escrito nos muros do pátio em vários idiomas. Eu acompanhava um grupo de brasileiros e, claro, fomos até a parte onde estava escrito em português para rezarmos juntos. Além daquele diálogo fascinante entre as duas primas, que encontramos no início do Evangelho de São Lucas, não se sabe muito da convivência delas durante os três meses que Maria esteve com aquela família. Eu sou apaixonado pela possibilidade de imaginar aquela convivência. Os papos entre as primas. Afi nal, Nossa Senhora vivia os primeiros tempos depois do anúncio de sua gravidez. Calculo que devem ter sido conversas tão lindas e o tempo guardo no silêncio da história. Eu fi co fascinado em crer num Deus que não patrocina a publicação de tudo e nos sugere cultivar a reserva e a intimidade.

    Continuo contando com a oração de todos. Abraços e beijos.

    PS 1: No fi nal do século XVIII, Nossa Senhora apareceu para um grupo de pessoas no Vietnã, na região de Quang Tri. Chamou a atenção dos católicos vietnamitas o fato dela usar uma longa capa aos ombros.
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    PS 2: No fi nal do século XIX, duas missionárias leigas chegaram à Argélia como parte de um grande movimento de evangelização e começaram as obras de um santuário na cidade de Argel que é dedicado à Nossa Senhora da África.
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    PS 3: No ano passado, o Papa Francisco recebeu um quadro com uma pintura de Nossa Senhora feito pelo artista goiano Siron Franco. É o retrato de Mãe de Jesus com traços indígenas. Na verdade, ele viu Maria com o rosto de uma india Karajá.

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Dom Darci, Rede Globo, Assembleia CNBB

 Nossa... que mês pesado e longo, hein? Março quase não terminava. Pe. Fábio de Melo disse no Snapchat que teve a sensação de que a semana das dores, a antepenúltima do mês, durou mais de 800 anos

* Pe. Rafael Vieira - Missionário Redentorista, Diretor de Comunicação C.Ss.R. rafae9@gmail.com

    Caro(a) leitor(a)

    Nossa... que mês pesado e longo, hein? Março quase não terminava. Pe. Fábio de Melo disse no Snapchat que teve a sensação de que a semana das dores, a antepenúltima do mês, durou mais de 800 anos. E todo mundo sabe a razão. A política e suas ciladas. A esse respeito, o colunista Juremir Machado, que escreve para o jornal gaúcho Correio do Povo, diz coisas que eu concordo: é claro que existem evidências de agrados indevidos de empreiteiras para políticos! É óbvio que tem gente no governo querendo proteger quem está sendo investigado! Nada é mais cristalino do que a podridão do sistema político brasileiro! É claro que o direito brasileiro está atolado na ideologia! É claro que parceria da Rede Globo com juiz famoso não é republicana! É claro ainda que parte da população está revoltada com a corrupção de apenas um partido! E para encerrar: se tivéssemos eleições hoje e não fosse eleito quem a Grande Mídia quer, começaria tudo de novo?

    Março também foi um tempo em que estive próximo de um furacão. O presidente da Comissão da CNBB para qual eu trabalho, meu confrade dom Darci José Nicioli, atual arcebispo eleito de Diamantina (MG), fez uma prece durante uma celebração no Santuário Nacional de Aparecida, transmitida para todo o Brasil, na qual ele pedia que vencêssemos o mal com o bem. Ilustrou sua oração com a expressão bíblica “esmagar a cabeça das serpentes” e acenou para quem se “autodenomina jararaca”. Isso dois dias depois que um político importante ter se comparado a um desses répteis. E aí, você viu no que deu né? Um furdunço. O que sobrou é que, na verdade, ele pautou a maior parte da Grande Mídia e o assunto rendeu por um bom tempo. Houve quem o recriminasse pesadamente e também quem considerou a sua expressão oportuna e até profética. Em tom de brincadeira, nos bastidores, perguntaram- lhe se ele havia sido também nomeado capelão do Instituto Butantan.

    Passemos para abril, ufa! A Rede Globo apresenta a novela das 11 “Liberdade, liberdade”. Grande elenco e uma fi cção interessante. Não nos esqueçamos disso. É fi cção. E mesmo resgatando o cenário histórico da Inconfi dência Mineira e se referir à família de Tiradentes é uma trama que saiu da cabeça de Marcia Prates e foi reescrita por Mario Teixeira depois de confl itos com a direção de dramaturgia da emissora. Eu fi co com uma pulga atrás da orelha quando um produto televisivo tem esse tipo de gênese. Mas, a presença de Letícia Sabatella na história já é motivo de sobra para eu me interessar pelo trabalho. Tive a alegria de ir à casa dessa atriz no Rio de Janeiro. Ela me recebeu para me contar uma história de maternidade. Ela deu à luz sua fi lha no sexto mês de gravidez e a menina sobreviveu. Sabatella me falou das rezas que fez no hospital e que tudo aconteceu lá em Curvelo (MG), terra do seu marido na época, o ator Ângelo Antônio, e também do santuário redentorista de São Geraldo. Território da nova arquidiocese de dom Darci.

   Abril também é mês da 54ª. Assembleia Geral dos Bispos da CNBB. Estou residindo em Aparecida (SP) desde o começo do mês e prometo falar disso na carta do mês de maio. Por enquanto, a maior parte do tempo vou fazer parte de uma grande equipe que serve os bispos em seu encontro anual. Meu grupo de trabalho vai se ocupar com a imprensa e, neste ano, fi zemos um projeto especial para a chamada Mídia Católica. Ir. Diego Joaquim, confrade aqui da Província, também vai colaborar na execução dessa tarefa. O tema principal do encontro será a identidade e a atuação dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Durante a assembleia também se realizará um grande evento com a participação da juventude de todo o Brasil embelezando o pátio do Santuário Nacional com suas barracas e com sua alegria. Será um momento importante da rota de celebração dos 300 anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora no fundo do Rio Paraíba.

    Nós continuamos juntos, claro. Uns rezando pelos outros.

    PS 1: Não se esqueçam de deixar energia para o mês que vem! Mesmo com o feriado de 1º. de maio caindo num domingo, tem show da Maria Gadu em Goiânia, no dia 20 no Teatro Rio Vermelho. Quem assistir me conta depois se ela cantou “ne me quitte pas”.
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    PS 2: No ano passado fi cou combinado que todo ano seria repetida uma edição do “Maio amarelo”. Prédios públicos estarão iluminados desta cor para nos lembrar a importância da segurança no trânsito.
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    PS 3: Você, de vez em quando, tem dado uma espiadela no site da Província Redentorista de Goiás (www.redentoristas.com.br)? Olha lá e me envia um e-mail com dicas e sugestões.

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