Desatino eleitoral

Candidatos de todos os partidos não diferem entre si quando se trata de se apresentar ao eleitor como se ele fosse um completo imbecil político

Pe. Rafael Vieira

     É só chegar o tempo de apresentação do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV e se renova um crime praticado, sistematicamente,contra o cidadão: o desrespeito à sua inteligência. O modo como os candidatos se apresentam, o discurso sobre os principais problemas do país, o tom de voz e a maquiagem, tudo converge para mostrar ao ouvinte, ao telespectador e ao leitor que ele não entende de nada e que precisa ser tutelado por alguém que entende de tudo e pode resolver tudo. Esse comportamento das coligações e partidos é completamente desrespeitoso, mas é consagrado e adotado por todas as candidaturas. Não há exceções. Da extrema direita à extrema esquerda, se pudéssemos usar categorias que eram muito comuns num passado recente. E a perpetuação dessa prática não conquista a nova geração para o debate e deixa os mais antigos enojados com tudo o que se fala nesse tempo. Quando um candidato a um cargo no Executivo diz, por exemplo, que o Brasil deixou de ser o que era por obra exclusiva da participação de sua agremiação partidária, essa pessoa está faltando com a verdade e atentando contra a nossa inteligência.Vamos ilustrar: os últimos16 anos de história mudaram o Brasil para melhor. O PSDB foi responsável pela metade desse período e o PT pela outra metade.Houve avanços na política social e econômica de forma crescente e positiva, mas um passo depende do outro. O governo de Fernando Henrique Cardozo deu contribuições excepcionais nesse processo do mesmo modo que há uma participação extraordinária do governo Lula. Ao seu modo, cada um dos comandantes tiveram papéis densos e significativos para que o Brasil chegasse a ser o que é hoje e nenhum dos dois poderia negar esse fato. Um caminho feito não pode desprender dos primeiros passos dados. Há importância no trabalho de FHC para se chegar a entender os feitos de Lula. Há uma indispensável importância na audácia política de Lula para compreender o sucesso e o limite dos programas executados por FHC. Não temos tradição na prática real e concreta de governos sustentados por coalizão política. Se tivéssemos, não haveria nenhuma contradição imaginar o PT e o PSDB turbinando o Brasil para levá-lo ao lugar de uma grande potência social e econômica. Como isso não ocorre, estamos condenados a ouvir dois grandes blocos de políticos nos estados a enfiar um discurso, garganta abaixo, no qual se diz que um desses partidos não convém ao Brasil que queremos. Bobagem. Essas duas forças políticas representam o melhor do que a história recente produziu em termos de administração pública.Basta juntar as estatísticas de enormes avanços em quase todos os campos da atividade social e econômica dos dois blocos de dois mandatos e qualquer pessoa vai concluir que esses governos fizeram uma revolução nesse país. Se o que argumentei tem validade, qual é a razão dos discursos agressivos? Se há fundamento nesse tipo de consideração, porque é que temos de engolir todos os dias que o bom mesmo é ser contra Lula ou contra Serra? Acho que sei parte da resposta a esse questionamento. Uma propaganda na qual se elogia uma proposta de governo desfazendo de outro tem resultado em votos. Qualquer coordenador de campanha sabe que do mesmo modo que é preciso levantar a moral de um candidato, é preciso minimizar a força do adversário. É guerra, não é disputa inteligente. Há uma convicção geral de que uma campanha propositiva, conciliadora, respeitosa e serena não funciona. Os candidatos não buscam o voto do eleitor, mas o voto dos adversários. Os responsáveis pelo marketing não fazem contas com os olhos na educação política, mas na busca de achar os pontos fracos das campanhas adversárias. Desse modo, sobra para nós, eleitores, ficar assistindo a TV, ouvindo o rádio ou lendo nos jornais que bom mesmo é o fulano porque o sicrano não vale nada. Que o realizador mesmo é fulano e sicrano não sabe onde está o nariz. Poderíamos nos respeitar mais e não nos submeter a ter de ficar olhando para caras lambidas se apresentando como honestas, retas, eficientes e confiáveis.

Política sem utopia

O jogo que está em curso na mídia mostra que os principais candidatos à sucessão da Presidência da República obedecem somente às regras do marketing

Quem quer um Brasil melhor? Todo mundo. Quem acha que controle da inflação e aumento das exportações alavancam o crescimento do país? Mesmo quem não entende de economia acha que esse é o caminho certo. Quem duvida que o sistema financeiro global é capaz de colocar o mundo em colapso? Depois de setembro de 2008, não há quem duvide. Os candidatos a ocuparem a cadeira do presidente Lula estão todos de acordo nesses pontos fundamentais. Em que eles divergem, então? No que poderemos prestar atenção para aprofundar o discernimento do voto consciente? Está muito difícil responder essas perguntas. Talvez uma solução seria saber o que eles pretendem realizar na área social. Mas nisso também  não há grandes diferenças. Basicamente, todos eles concordam em continuar com tudo o que está por detrás do programa Bolsa Família: distribuição de renda, incentivo à educação de base e à busca dos serviços públicos de saúde.
Essa constatação leva a crer que ficou tudo raso, plano, igual. Acho que não está muito longe da realidade. PT e PSDB, no fundo, são primos políticos e o PV é irmão. Pode-se verificar que o estrangulamento do equilíbrio dessas forças políticas fica por conta do DEM e do PMDB que não são nem parentes. Esses dois partidos se encarregam de dar o tom polêmico e de promover os desentendimentos mais significativos. Para nós, eleitores, eu acho que muda pouco. O PMDB não serve de base para coisa alguma na hora de tentar definir votos. Seus quadros se encaixam em qualquer coligação. Eles defendem e atacam o governo atual e o discurso dos peemedebistas está dispensado de qualquer coerência eleitoral. O DEM, como sempre, fica na retaguarda das forças mais neoliberais, retira do túmulo o cadáver do perigo comunista, trata de assuntos superados com  uma tranqüilidade de dar pena.
O PT bate em tecla fixa. Muita gente acha que o partido caminha no rumo certo porque tem forças muito precárias sem a estrela Lula. A revista Veja, sempre na trincheira da suspeita, acha até que a candidata do partido não terá a mesma autonomia do presidente e, desse modo, há riscos de que o partido passe a dar as cartas, de verdade, na eventualidade de sua vitória. Por conta disso, o chamado discurso radical pode vir a entornar o caldo engrossado nos últimos 8 anos. O PSDB começou o debate eleitoral com o receio de que o remoto governo de Fernando Henrique Cardoso viesse a ser colocado em evidência nos seus pontos fracos. Parece que não se preocupam mais com isso. Demoraram demais em definir alianças na chapa e, agora, só conseguem afirmar – o que é fato – a distância que a candidata de Lula está tomando dos debates. Esquecem que FHC também não comparecia quando as coisas estavam boas para o seu lado.
E se nos encontramos nessa situação, a culpa é do que chamam de marketing político. Os candidatos só parecem falar e fazer o que determinam os colaboradores regiamente pagos para construir campanhas vitoriosas. Fazer uma pessoa ou uma idéia se tornar uma mercadoria e vendê-la por um bom preço. É isso que eles sabem fazer. Só isso. E esse pessoal é prático. Não perde tempo com o que não rende votos. Os temas, os debates, os posicionamentos respeitam à lógica da captura do voto. Os candidatos parecem só querer isso também. Pronto. Nem a candidatura dos chamados verdes parece destoar dessa lógica. A candidata tem sido apresentada como uma estrela da sustentabilidade. Todo mundo sabe o que é estrela, mas não o que é sustentabilidade. Uma pena. Assassinaram o sonho, a utopia.

 

Araguaia

O mês de julho e as temporadas de pesca e de diversão às margens do mais jovem rio do Cerrado formam uma das duplas mais famosas de Goiás - Pe Rafael - julho / 2010

Eu nasci numa cidade que se localiza a duas horas de carro do rio Araguaia. Cresci ouvindo histórias passadas nas  imediações desse rio. Cheguei ao seminário São José como membro da turma que fez o que se chamava, naquele tempo, de “estágio” vocacional no final de 1977 e vim para Goiânia no início do ano seguinte. Uma das primeiras notícias que ouvi, depois  que cheguei, tinha relação com as minhas lembranças do tempo de criança: os missionários redentoristas faziam todos os anos,  comandados pelo Pe. Ângelo Licati, uma expedição ao querido  Araguaia. Inicialmente, achei que não teria muitas chances de participar daquela aventura. Depois, ao começar a participar da festa de Trindade e conhecer o movimento que se fazia na preparação daquela caravana, consegui vislumbrar uma possibilidade. Logo que tive uma chance, me inscrevi, junto com o Pe. Fábio Bento, meu colega de turma, para uma função que jamais imaginara ser capaz de exercer: a de cozinheiro.
Se a memória não me trai, estivemos na “Cuiucuiu” de 1979 a 1981. Os dois primeiros anos  cozinhando e o terceiro, como convidados para desfrutar das férias. Fizemos experiências marcantes. Nunca mais voltei a ter a felicidade de ser caravaneiro, mas nunca me esqueci daquela maravilhosa convivência. Algumas imagens daqueles anos estão muito vivas na minha mente. Lembro-me do Pe. Rubem Galvão nadando com uma pirarara na frente do acampamento. Pe. Guilherme Contart com um chapéu na cabeça, pescando sentado numa cadeira colocada no deck que servia para lavar as vasilhas. Pe. Figueiredo com uma toalha no ombro e uma blusa de frio surrada dizendo coisas engraçadíssimas. Pe. Conrado Gagliardi, num daqueles anos, nos proporcionou uma fritada de filé de traíra depois de ter passado horas retirando espinha por espinha do peixe com um pequeno alicate. Pe. Pelaquim, sempre discreto, sempre gentil. Pe. Antonio Girardi e o Adão saindo para as pescarias com conversas animadas.
Não sei exatamente qual foi o ano, mas uma das viagens feitas no ônibus para chegar à Fazenda Piedade foi uma aventura ímpar. Houve um momento que tivemos de sair todos para fora e esperar a “construção” de uma ponte. Ir. João Bosco animava o carregamento de toras e, debaixo de uma árvore, prepararam uma espécie de cabana para proteger do sol um senhor idoso extremamente simpático, Pe. Lovato. Lembro-me de uma ocasião em que Pe. Flávio Cavalca preparou-nos um extraordinário espaguete ao vinho. Também foi numa dessas idas nossas que um jovem de Tietê sofreu uma apendicite e teve de ser trazido, às pressas, para Goiânia. Essas e outras histórias me acompanham. Guardo também uma excelente impressão do modo fraterno com que fomos tratados na condição de “cozinheiros”. Pe. Fábio cuidava do café da manhã, dividíamos as tarefas do almoço e muita gente ajudava no jantar. Uma das poucas reprimendas que sofremos teve como causa a preparação que fizemos de macarrão com sardinha. Nunca me esqueci da pergunta que fizemos, entre nós: “Se era um absurdo usar sardinhas em conserva para a alimentação daquele mundo de gente, por que será que levaram tantas latinhas?”.

Ouço dizer que, no correr das últimas décadas, a expedição mudou bastante. O perfil dos caravaneiros, os hábitos, o modo de fazer a comida. Tenho certeza, no entanto, que a julgar pela animação do Pe. Ângelo e pelas notícias dos novos participantes, a caravana e o Araguaia continuam a ser abençoadas alternativas de férias para os redentoristas e seus amigos. Estou certo também que, neste ano de 2010, não será diferente e teremos mais um bocado de histórias bonitas que marcarão outras pessoas que tiverem a sorte de passar por lá pelos mais de 20 dias da temporada. Voltar

 

O circo da Copa

O celebrado clima patriótico do tempo da Copa do Mundo não corresponde ao modo saudável de se cultivar o amor pelo país e nem pelas cores nacionais
Pe. Rafael
Artigo do mês de junho

Permitam-me abordar o principal assunto deste mês de junho meio pela contra-mão. Na entrevista concedida pela comissão técnica da seleção brasileira por ocasião da convocação do grupo que tem a missão de jogar bom futebol em nome do Brasil na África do Sul, Dunga e Jorginho convocaram o povo ao patriotismo. O técnico com aquele jeitão afobado e atropelando a gramática sem piedade alguma. O assistente em tom de pregador na igreja. No meu modo de entender, ambos se equivocaram em várias dimensões. Em primeiro lugar porque não se tratava de ocasião para a exposição desse tipo de doutrina. A imprensa aguardava razões técnicas e estratégicas que levaram à escolha dos jogadores. Segundo porque qualquer pessoa que conhece, minimamente, o nosso povo sabe que a única coisa que não é preciso pedir é paixão pelo futebol. Temos de sobra. E, por último, erraram porque patriotismo, definitivamente, não é o que eles tentaram expor.

A FIFA, entidade organizadora da Copa, é uma das multinacionais mais poderosas do mundo. Jornalistas norte-americanos analisaram, recentemente, o gravíssimo teor de interferência sobre as políticas públicas dos executivos do Mundial sobre os sul-africanos. Eles se metem nas instâncias de governos e entram em questões internas dos países com arrogância, autoritarismo e querem sempre, como resposta às suas ordens, uma completa submissão. Como se trata de um evento de retorno garantido e bilionário, os países mobilizam forças míticas para assumir os compromissos dessa federação que, na verdade, é uma grande empresa. Chega a dar pena ver Nelson Mandela e o bispo anglicano Desmond Tutu, ícones da libertação do Apartheid e agraciados com o Nobel da Paz abraçados num troféu e levados a apresentações festivas para promover a Copa.

As seleções nacionais, sem exceção, são formadas por jogadores que ganham fortunas para se divertirem. No meio deles não há quase nenhum espaço para a discussão sobre a composição das sociedades e nem sobre a perversidade dos sistemas econômicos. Eles não estão dispostos a uma reflexão dessa natureza também porque são, quase em sua totalidade, semi-analfabetos. Mas são ricos, muito ricos. Granjeiam a simpatia de todos porque são talentosos. Tente visualizar a seleção do Dunga. Observe que tipo de atuação significativa na vida do Brasil em relação a construção do seu destino tem algum dos craques que endossam a camisa verde-amarela. Não há notícia de que um sequer daqueles rapazes tenha algum tipo de comprometimento com a nossa luta como nação. Muito pelo contrário, eles estão vivendo em outros países e fortalecendo suas contas bancárias.

Poderia se aprofundar outros aspectos. Paro por aqui. Acho que já é suficiente para nos dar um pouco de razão nesses dias em que vamos empunhar bandeiras e torcer pela seleção. E é nisso que está o propósito da minha reflexão: torcer pela seleção não é o mesmo que torcer pelo Brasil. Querer a vitória da seleção não é exatamente o mesmo que querer vitórias para o Brasil. Um hexacampeonato vai nos trazer muita emoção, uma taça de ouro, um bocado de rapazes ainda mais ricos e um lastro para se explorar politicamente um momento nacional. Vitória para o Brasil seria baixar o índice de analfabetismo. Vitória para o Brasil seria corrigir nossa carga tributária. Vitória para o Brasil seria sair desse modorrenta disputa de políticos espertos para um verdadeiro debate nacional. Vitória para o Brasil também seria melhorar o sistema carcerário, combater a violência, eliminar as drogas, diminuir o déficit habitacional, criar sistemas decentes de transporte coletivo em regiões como a grande Goiânia, facilitar o acesso da população mais pobre ao teatro e ao cinema. Torcer por isso, sim, é patriotismo. Não quero desagradar ainda mais, só não posso resistir em nos lembrar que nossa pátria não vai para o bico das chuteiras. O período da Copa é bacana. Sem trocar as bolas, pode-se torcer pela seleção com um compromisso de aprender a torcer, de verdade, pelo Brasil.

O melhor é quando acaba

Histórias incríveis e realmente edificantes são contadas em poucos segundos no final de cada capítulo de um folhetim famoso

Maio 2010 Pe. Rafael Vieira C.Ss.R.
Vigário Episcopal para Comunicação

Eu sou filho de uma geração da Televisão. Não fui habituado a devorar livros desde pequeno. Enfrentei, na escola média, uma grande barreira em cumprir tarefas de leitura. Era difícil demais conseguir enfrentar uma obra do Machado de Assis. Na universidade tanto na Filosofia, na Teologia quando na Comunicação Social, eu atravessei os cursos das faculdades sentindo certo peso quando precisava ler obras de maior fôlego, textos mais exigentes. Só tive alguma salvação pelo jornalismo. Os jornais e as revistas eram companhias agradáveis, mas nenhuma coisa e nem outra era capaz de me tirar da Televisão. Conheci as telenovelas quando era ainda adolescente. Sei identificar, sem a ajuda de ninguém, histórias contadas por Janete Clair, Dias Gomes, Walter Negrão. Não tenho dificuldades para alinhavar listas com as interpretações dos atores mais conhecidos da telinha. Apesar de tudo isso, por uma razão ou outra, jamais imaginei que tivesse coragem para recomendar que as pessoas assistissem a uma novela. Faço isso hoje, com todo entusiasmo e sem nenhum tipo de receio: vejam a novela “Viver a Vida” da Rede Globo de Televisão. Ela está prevista para terminar no dia 15 de maio.

Só que o meu conselho não tem absolutamente nada a ver com a ciranda boba de traições dos personagens principais. Não se dirige aos dramas de moças e rapazes que transitam a história adotando o estilo de vida do bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro e nem de Búzios, no litoral fluminense. Minha recomendação sequer é fruto de algum tipo de impacto que me tenha causado a exposição que faz o autor Manoel Carlos a respeito da vida de uma moça bonita vivida pela belíssima Alinne Moraes que tornou-se paraplégica. Confesso que nem me conquista muito a manjadíssima oposição entre pessoas de bem e um menino bandido de algum morro carioca. A novela está cheia de clichês e nem acho que seja uma obra muito séria. Você nem precisa passar para o canal antes de se chegar aos minutos finais do último bloco. Pegue o seu controle remoto e enquanto faz o zapping entre na última cena quando um personagem fala tendo um fundo branco como cenário do qual saem letras pretas.

Essa é a parte absolutamente mais interessante da novela das nove. Todo dia tem uma cena mais comovente do que a outra. Todo dia tem uma história humana, digna, bonita, forte. Mas vai ser preciso preparar o coração. É comovente. Não se espante se uma lágrima grossa teimar em querer sair dos seus olhos. Nessa parte da novela aparecem homens e mulheres, meninos e meninas que contam para o telespectador, olhando de frente, como é que eles vivem suas vidas. São meninos de olhos brilhantes, meninas heroínas. Há senhoras gordas, outras magérrimas. Há pessoas com deficiência, pais e mães. Você não vai encontrar o capricho dos cortes das cenas bem estudadas nas quais brilham a Taís Araújo e o Thiago Lacerda. As mudanças de ângulo da câmera são bruscas. E não há problema algum nisso porque a gente não desgruda os olhos da história. Todas mostram um exemplo magnífico de superação, de luta, de alegria, de entusiasmo.

É uma sucessão de casos lindos. Lindíssimos. Todas as vezes que tive a oportunidade de assistir fiquei com a mesma sensação de que valeu a pena ter ficado ali diante do televisor. Numa das últimas oportunidades, vi um senhor do Rio Grande do Sul contar a história do seu filho Pedro. Um garoto mostrado sorridente em fotografias. O pai dizia que ele era corajoso e mesmo tendo leucemia queria muito viver. A mãe doou a medula para o filho, mas em fevereiro de 2008, logo depois do transplante, uma pnenumia o levou. O pai, bem articulado, com a palavra presa na garganta disse: seja doador de medula óssea. É muito simples fazer isso. Você vai a um Hemocentro, retira 5 miligramas de sangue e preenche um cadastro. Só isso. Você estará habilitado para ser um herói de verdade!

Cultura da esbórnia

O carnaval tem representado a tendência brasileira de não considerar as consequências da diversão e de não levar a vida a sério

Fevereiro é um mês muito esperado. Infelizmente, para quem ama uma bagunça com muita bebida, sexo e drogas existe uma miríade de opções em todo canto do Brasil. Festas em clubes, barracas, praias e até mesmo em casa. Para quem aprecia feriados na terça-feira para enforcar a segunda, também é uma grande ocasião. O governo parece só contar com essa vitrine para combater a AIDS e despeja milhões de preservativos nas mãos dos jovens que vão para folia. Quem critica esse tipo de política pública lembrando que pode ser um incentivo ao sexo irresponsável é tratado como se fosse uma pessoa ou uma instituição que atravanca o trabalho sério para minimizar o estrago que essa endemia provoca no mundo inteiro. É isso. Um caldo cultural que conserva e perpetua a ideia de que para se divertir é preciso se destruir.
O álcool tem papel preponderante numa típica festa de carnaval no Brasil. É o único combustível para a alegria. Parece até que não há chances de verdadeira satisfação sem encher a cara. O antigo e comportado carnaval de rua que merecia ser assistido pelas famílias tem hoje apenas duas versões lamentáveis: caríssimos desiles financiados com dinheiro do contribuinte a pretexto de fazer marketing de governos e um mundo de gente na rua vestindo camisetas com o nome de abadás que custam uma fortuna para correr atrás de trios elétricos comandados por famosos endinheirados. As cervejarias já tomam a festa como explosões de vendas que crescem a cada ano que passa e, por isso, patrocinam camarotes luxuosos lotados de celebridades vazias.
Farra e embriaguez resultam, todos os anos, em morte nas estradas. O primeiro carnaval depois que começou a vigência da lei seca, no ano passado, teve aumento de 21,2% no número de feridos e 19,6% no de acidentes em estradas federais em relação ao mesmo período de 2008, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A lei, portanto, não conseguiu vencer a cultura da bagunça e da inconsequência do carnaval. Pode ser que alguns exemplos de punição dados durante o ano e a massiva publicidade recomendando prudência possam evitar a aventura assassina de quem insiste em beber e dirigir nas festas deste ano.
Insisto em dizer que é um problema de cultura porque essa combinação tão escandalosa presente em todos os carnavais se repete em qualquer ocasião festiva. O brasileiro, em geral, morando em qualquer lugar do país,ao aparecer uma ocasião de celebrar, pode garantir que lá estarão presentes: álcool, muito barulho e um bocado de gente doida que vai pra casa de carro depois de “bebemorar”. Aniversário, casamento, promoção no trabalho e tantas outras motivações servem para se montar um carnaval fora de época. E quandochega a época, então, aí nem se fala. Reina soberana a disposição de soltar todas as amarras mesmo que isso coloque a vida em risco. A vida do folião que não mede consequências e a vida de inocentes que passam por perto dessa gente tão animada. A sorte é que ainda há grupos que fazem fosse uma pessoa ou uma verdadeira resistência cultural e aproveitam o feriado do carnaval para rezar, para ler, para descansar ou até mesmo para trabalhar. Ainda bem.

Comparações infames

(28/10/2009)
Presidente da república se sai de situações públicas embaraçosas usando analogias que não têm compromisso com a verdade

Um pouco depois da metade do mês passado, o presidente Lula disse, num dos seus momentos de entusiasmo verbal, que se vivesse no Brasil, Jesus teria de fazer acordos com Judas. Ele se referia à necessidade de alianças entre pessoas com posições ideológicas diferentes no campo da política eleitoral. Muita gente gostou da metáfora e deu razão ao presidente que se tornou um fértil orador do improviso. Eu não gostei. Como não tenho gostado de outros episódios que mostram os arroubos de Lula descontraído. Achei que essa conversa do presidente confirma nossa condescendência com duas situações graves. A primeira: ele atenta contra nossa inteligência ao lançar mão de certas comparações que parecem pragmáticas e corretas, mas são falsas e abusadas.  A segunda: ele jamais entendeu o significado de uma traição nem no sentido político, muito menos no sentido da fé.

Lula está acostumado, sob aplausos, a fazer afirmações arriscadas. A imprensa faz certo rumor nos primeiros momentos e depois não trata mais do fato. Isso também porque ele não é nada parcimonioso em oferecer novas situações. Animado, amado e idolatrado como homem do povo que não precisou de diplomas para chegar ao mais alto posto administrativo de um país, ele excede em seus discursos espontâneos, repete frases à exaustão, reúne meia dúzia de boas percepções e bombardeia os públicos impressionados com seu fôlego, sua emoção, sua comunicação fácil. Mas nem por isso, ele precisava nos impor analogias com certo grau de perigo para a compreensão. Fiquemos com o mínimo: Jesus jamais negociaria com Judas e exatamente por isso é que sua história teve desfecho dramático. Se negociasse com quem o criticava, não entendia as mudanças do seu modo não teria enfrentado a cruz e nem precisaria ter caminhado para o calvário. Jesus não é negociador de alianças espúrias para tomar e manter o poder. Ele ensinou uma outra coisa que o presidente parece desconhecer.

A melhor e mais completa definição do sinônimo de traição, para mim, é o pecado. Pecar é, essencialmente, trair. A gente sempre peca quando trai a si mesmo, um projeto, um princípio de vida, uma pessoa que ama. Trair é o mesmo que negar, combater, matar um plano. E se esse plano é de Deus, a traição é a mais radical expressão do pecado. E bem diferente do que a maioria de nós pensa, uma grande traição só ocorre no final de uma série de pequenas traições. Judas não traiu Jesus porque, de uma hora para outra ou por absoluta fraqueza pessoal, achou que podia se dar bem. Não foi nada disso. Ele traiu Jesus porque percorreu o caminho de pequenas desconfianças e infidelidades que foram tecendo a esteira sobre a qual ele se deitou para, finalmente, entregar Jesus aos seus adversários por um pacote de 30 moedas. Quando o presidente considera que um traidor pode ser, tranquilamente, chamado para se negociar alianças de sobrevivência no poder ou ele desconhece o sentido dos relatos dos evangelhos ou ele afirma que seu modo sorridente de agir esconde uma atitude muito perigosa de homem público.

Uma pena que nos acostumamos a ver, no presidente, a projeção de todos os nossos sonhos. Ele parece um messias que veio nos livrar do nosso complexo de inferioridade. Por conta disso, somos tolerantes, passivos. Ele fala e a gente acha bom. Para todos nós, ele é um tipo realmente “simpaticão”. E não estamos sozinhos nessa. Barack Obama, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown, Silvio Berlusconi, Ângela Merkel, Hugo Chavez e outras figuras parecem achar que Lula é, realmente, o “cara”. Descolado, obstinado e, convenhamos, sortudo. Ele tem sorte de ninguém se considerar em condições políticas e intelectuais para pedir um pouco mais de comedimento. Paciência.

Pe. Rafael Vieira, CSsR

Minha Maria

Um livro vai reunir fotografias de mães e textos meditativos sobre versículos bíblicos que fazem referência a Nossa Senhora

No próximo mês, no dia 9, data em que se celebra o aniversário da Congregação do Santíssimo Redentor, na porta da Matriz de Campinas, em Goiânia, vamos lançar o décimo terceiro livro de uma série de trabalhos feitos com o propósito de contribuir com iniciativas pastorais dos redentoristas. São tentativas de reflexão desprovidas de qualidade literária, sem brilho como discurso e cheias de pensamentos comuns. O autor não é dotado de carisma para a escrita e não tem a elegância típica dos escritores apreciados pelo público que lê livros com gramáticas a tiracolo. Então, como é que um produto com essas características e deficiências volta a ser apresentado? Como se chegou a essa marca de mais de uma dezena de publicações com aceitação entusiástica do público se os livros não têm qualidade de texto? A resposta é extraordinariamente simples e instigante: os livros são escritos e publicados e o público consome porque todos, autor e leitores, querem ajudar os missionários em sua obra evangelizadora.
O interesse que moveu a atenção das pessoas para o lançamento dos 10 primeiros livros foi o de colaborar com a manutenção do Centro de Convivência Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Um projeto da Congregação Redentorista que já esteve sob a responsabilidade da Fundação Padre Pelágio e que deverá ser entregue aos cuidados da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Campinas. Esse Centro é um lugar onde mais de uma centena de idosos, há mais de 4 anos, tem encontrado oportunidade para se aprofundar na arte de conviver. Numerosos voluntários têm animado manhãs e tardes com atividades físicas, psicológicas e culturais. As irmãs do Instituto Mãe de Deus têm sido um grande apoio tanto na parte material na cessão do prédio quanto na parte humana com a dedicação na coordenação do Centro. A Matriz de Campinas e a Rádio Difusora são as maiores sustentadoras dessa obra. O programa do Humberto Aidar, também fundador do Centro, tem um papel central na divulgação dos trabalhos e no incentivo do público.
O último lançamento realizado no primeiro semestre de 2009 e o do próximo mês terão a renda inteiramente revertida para as obras de reformas da Matriz de Campinas. O tema da primeira publicação deste ano foi muito bem acolhido pelas pessoas que acompanham as novenas de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O livro trata de forma leve do enorme partimônio espiritual deixado por Pe. Anthony de Mello, um padre jesuíta indiano que faleceu na década de 1980. O título foi escolhido pelos ouvintes da Rádio: “Viva o presente.Aprenda com o passado. Creia no futuro”.
Desta vez, estou preparando alguns textos curtos sobre a beleza fascinante do exemplo de vida de Maria, mãe de Jesus e nossa. O ponto de partida é o relato bíblico. Tomo também como base para a meditação o trabalho de exegese feito por Willian Barclay, um protestante escocês muito conhecido na Europa e nos Estados Unidos e em vários desses lugares tem sua leitura recomendada por bispos católicos. As considerações de Barclay são muito ricas porque une investigação bíblica com sensibilidade pastoral e usa de uma fantástica linguagem que facilita a compreensão de leitores que não tiveram oportunidade de estudar as Escrituras. Estou apostando, no entanto, que a mais importante parte desse novo livro será representada pelas páginas nas quais estarão expostas fotografias de mães. Desde o começo deste mês de setembro, estamos recolhendo fotografias em tamanho 3x4 para serem publicadas. Muita gente já enviou o retrato de suas mães e o rosto lindo dessas mulheres vão mostrar os traços do rosto de Nossa Senhora. Espero poder mostrar mosaicos com centenas de mães. E o povo, mais uma vez, poderá se engajar comigo numa das obras dos redentoristas e contribuir para que a Matriz de Campinas possa ficar ainda mais bonita com as reformas que estão sendo feitas. O título do livro é: “Minha Maria”. Cada leitor poderá ver no rosto das senhoras, que terão sua fotografias publicadas, um pouco da luz que encontramos na face da Mãe de Deus.

Pe. Rafael Vieira, CSsR


José Alencar

Ele não faz proselitismo, não se agarra a vida de forma desesperada, mas esboça um sorriso e diz sempre que é “Deus que sabe”.

 

Que tipo de pessoa é esse senhor de semblante sempre positivo e que enfrenta, diante das câmeras e em capítulos, uma doença terrificante? É um tipo raro, desconcertante. Um homem bom que acredita em Deus, na vida, no sentido da luta reverente. Cada vez que é questionado sobre a gravidade do câncer que o obriga a voltar, regularmente, ao hospital para cirurgias invasivas, responde que o caso é sério, mas que está muito animado com os procedimentos terapêuticos. Logo que deixa um período de tratamento intensivo, volta ao cargo que, de certa forma, é um dos mais poderosos instrumentos para a garantia da estabilidade nos dois mandatos do presidente Lula. O Vice-presidente da República foi símbolo de uma aliança que tirou o PT da inércia de uma faixa de eleitores que só deixaria seu candidato no patamar dos últimos três pleitos presidenciais e o alçou ao posto de uma legenda vitoriosa. Além de tudo, se fosse pouco, é um teimoso que incomoda os mais ortodoxos aplicadores de políticas econômicas do governo batendo, fixamente, na tecla da queda de juros.

Jose Alencar é mineiro. Traz consigo aquele modo particular de fazer política com eficiência e sem estardalhaço. E é também um empresário bem sucedido o que não o deixa figurar entre os políticos que desconhecem o dia em que subiram e jamais saberão descer de um palanque. É um homem de palavra, descomplicado. Um tipo observador dos fatos. Não demonstrou dificuldade alguma em abraçar um projeto eleitoral que parecia temerário em 2002 e sob vaias de petistas radicais e apelos de correligionários preocupados com a proximidade dele com a celebrada esquerda daqueles tempos. Ele seguiu, firme, lúcido e forte. Deu todo apoio ao candidato majoritário e foi patrocinador de uma vitória tão almejada pelo PT e várias vezes perseguida em três pleitos anteriores.

Ofereceu-se para ser cobaia de um tratamento de câncer nos Estados Unidos e frequenta o centro de pesquisa com muita animação. Fala desse compromisso com transparência. Não corre da doença. Enfrenta cada um de seus capítulos com o mesmo espírito de confiança. Num desses dias em que saía do hospital depois de mais uma intervenção cirúrgica para combater a formação de novos tumores na região abdominal, indagado por um repórter sobre a razão de tanta determinação, com toda simplicidade do mundo, ele respondeu pausadamente: “acho que minha vida ainda pode ser útil”. Quanta sobriedade. Quer viver para continuar sendo útil. E suas declarações são pontuadas por lindas demonstrações de fé marcadas pela confiança em Deus. Ele não faz proselitismo, não se agarra a vida de forma desesperada, mas esboça um sorriso e diz sempre que é “Deus que sabe”.

José Alencar está colaborando com o país inteiro no aprofundamento da consciência de cidadania ao assumir seu papel de trabalhador contumaz pela consolidação de nossa democracia. Ele também ajuda a todos que consideram a transcendência como importante dimensão da existência a equalizar o valor da vida e um saudável comportamento diante de uma doença grave. Aliás, é essa a mais retumbante mensagem que se pode ler no comportamento desse senhor: ele tem saúde espiritual robusta. Ele é tão saudável que sabe lidar de modo adequado com a sua saúde física. O câncer não o vencerá. Se o organismo dele não suportar, algum dia, a doença ainda assim estará derrotada pela força espiritual de um grande brasileiro.

Pe. Rafael Vieira, CSsR

 

Bullying

 

A expressão em inglês não sugere a intensidade dos maus-tratos sofridos por alunos que não correspondem às expectativas raciais e sociais dos certos colegas

Nossa mania de adotar termos em língua estrangeira continua firme e forte mesmo com tanta iniciativa cultural de valorização do português. Os jornais se referem ao fenômeno da violência nas escolas onde alunos mais fortes batem, humilham e pressionam alunos mais fracos como bullying. Na verdade, se buscado o sentido literal da palavra num desses dicionários básicos de tradução, a palavra significa ameaçar, intimidar. A história é bem mais grave do que isso. Crianças e adolescentes estão sendo machucados porque são fisicamente menos aptos, oriundos de raças e culturas diferentes da maioria ou inseguros em relação à orientação sexual padronizada. Alguns colegas que detém força física, poder de persuasão ou estão em condições de vantagem em relação à situação econômica ou de liderança, estão batendo, xingando, humilhando.

Ângela Adriana de Almeida Lima é pedagoga e faz pesquisa sobre bullying na rede estadual de ensino em Minas Gerais. Ela publica artigos sobre o assunto em jornais e sites. Num deles, ela explica que as formas de bullying mais comuns em ambientes escolares são: agressões físicas e verbais, ameaças, brigas, chantagens, apelidos, trotes, roubo, racismo, xenofobias - aversão a tudo aquilo que vem de outras culturas e nacionalidades –, intimidações, piadinhas, assédios, xingamentos, abusos e várias outras formas de se ridicularizar uma pessoa. A professora também conta que, na maioria das vezes, a vítima aceita todo o sofrimento sem dizer nada a ninguém e se transforma em uma pessoa triste, constantemente deprimida e sem perspectivas de lutar pelos seus direitos. Houve casos, de crianças e adolescentes que foram tão sufocadas por essa prática optarem pelo suicídio.

A pedagoga Adriana Almeida lembra que o bullying, não é praticado apenas por alunos e entre alunos. Ele ocorre, propriamente, em todas as relações desiguais de poder em que um dos agentes sejam ridicularizados ou sofram qualquer tipo de agressão.

Entre os melhores comentários publicados recentemente sobre esse assunto está um representado pela indignação de uma senhora muito sensível, a psicóloga Rosely Sayão. Ela tem uma coluna no jornal Folha de São Paulo e acha que as causas mais profundas relacionadas ao bullying estão relacionadas ao comportamento generalizado das pessoas em levar vantagem em tudo. Ela conta: “Outro dia, vi uma cena que exemplifica bem essa situação. Em uma farmácia repleta de clientes, só dois caixas funcionavam, o que causou uma fila imensa. Em dado momento, um terceiro caixa abriu e o atendente chamou o próximo cliente. O que aconteceu? Várias pessoas que estavam no fim da fila e outras que aguardavam ainda a sua vez correram para serem atendidas. Apenas uma jovem mulher reagiu e disse que estavam todos com pressa e aguardando a sua vez. Ela se tornou alvo de ironias e ainda ouviu um homem dizer que "a vida é dos mais espertos". Essa cena permite uma conclusão: a de que ser um cidadão responsável e respeitoso promove desvantagens. É esse clima que, de um modo geral, reina entre crianças e jovens: o de que ser um bom garoto ou aluno correto não é um bem em si”.

Pe. Rafael Vieira, CSsR

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