Renasce a alegria

Vamos valorizar a vida cuidando da naturez

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
         O tempo litúrgico do Advento nos prepara para a vinda do Senhor na celebração do Natal. É um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele vem, pela fé, renascer em nossos corações. O encontro com Jesus ilumina e alegra a nossa vida e nos devolve a esperança por um futuro bom.
       Que cada um de nós esteja vigilante e em atitude de oração para acolher a Luz do alto que vem nos visitar: “Deus é luz e nele não há treva alguma. Se caminhamos na luz, como ele está na luz, estamos em comunhão uns com outros” (1Jo 1,5.7). Portanto, quem acolhe a Luz, torna-se livre de toda rixa, contenda e ciúme, busca pacifi car o coração para viver em comunhão com os irmãos. E quando é difícil olhar nos olhos de algum irmão ou quando estamos feridos, podemos confi ar e esperar que o amor de Deus colocará a nossa cabeça e o nosso coração no eixo. Nunca podemos esquecer que Deus é Pai e sempre vem ao nosso encontro com amor eterno para nos perdoar e nos socorrer em nossas fraquezas. Por meio do Menino Jesus, o Pai Eterno ilumina a nossa vida e revela o seu amor por nós: “Eu vim ao mundo
como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).
       Jesus Cristo ilumina a nossa vida e restaura em nós a alegre esperança para sermos, com ele, luz e vida para o mundo. Não deixemos que as difi culdades do momento tirem o brilho do amor de Deus que há em nós. Cada um de nós é maior que os problemas que possa ter e é justamente nas horas difíceis que temos a oportunidade de testemunhar ao mundo a razão da nossa fé e da nossa esperança. Quem encontra Cristo encontrou a alegria de viver. Conservemos no coração o mandamento do amor para que a nossa alegria seja plena.
       O amor não faz justiça com as próprias mãos, isto é, não aceita a “lei do olho por olho, dente por dente”. Quem ama perdoa, reparte o pão e paga o mal com o bem. Se amamos, as portas do céu se abrem para nós. Jesus é a maior expressão do amor do Pai por nós. Ele veio ao mundo para nos ensinar a amar porque o amor é a única força que liberta e salva

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Missionários da misericórdia

Vamos valorizar a vida cuidando da naturez

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
         Em novembro de 1732 nascia a Congregação Redentorista. Santo Afonso afastou-se da cidade e foi recolher-se nas montanhas porque estava cansado. Esse fato simples foi a ocasião que Deus reservou para se manifestar na vida de Afonso. A Congregação Redentorista é fruto do amor de Deus. A experiência que Santo Afonso fez do amor de Deus, abriu os seus olhos e o seu coração para contemplar e acolher o povo simples e pobre que andava abatido como ovelha sem pastor. Afonso sentiu compaixão daquela gente. Ele cresceu na consciência de que fora ungido para evangelizar os pobres e não teve mais descanso. Decidiu formar um grupo de homens que tivessem fé profunda, esperança alegre e caridade apostólica para testemunhar e anunciar aos mais pobres o evangelho do amor de Deus que a todos quer salvar.
        Hoje, os redentoristas assumem
o desafio de manter vivo na Igreja o carisma fundacional da Congregação. Na força da fé, na alegria da esperança e com o amor de Deus que foi derramado em seu coração pelo Espírito Santo, o missionário redentorista proclama: “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus!” (Ef 2,4-5.8). Ouvir e acolher no coração essa mensagem do amor de Deus manifestado a nós por meio de Jesus Cristo, ilumina a vida, traz esperança e paz. A pregação do redentorista é para recordar às pessoas o tanto que Deus nos ama e suscitar nos corações a liberdade para corresponder a tanto amor, mediante a conversão para viver a vida nova em Cristo. (voltar)


Guarda a Palavra

Vamos valorizar a vida cuidando da naturez

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
   O mês de setembro traz para nós a estação das fl ores. Na Igreja é o mês especialmente dedicado à leitura da Palavra de Deus. A Bíblia, quando lida e acolhida com fé, pode fecundar e fazer fl orescer a nossa vida cristã. A Palavra de Deus orienta a nossa consciência para o bem e educa o nosso coração para a justiça, a caridade e a paz. Somos exortados a anda na presença do Senhor, iluminados e orientados pela Palavra. Se o nosso coração for habitado pela Palavra, nossa boca irá dizer palavras de vida, palavras que edifi cam os irmãos e que promovem a comunhão entre nós.

    São Jerônimo ensina que “o Evangelho é o corpo de Jesus, as Escrituras são a sua doutrina. O nosso único bem é comer a carne e beber o sangue de Cristo, não apenas no mistério eucarístico, mas Jesus diz que
“se alguém o ama, guardará a sua palavra, o Pai o amará e ele e o Pai virão habitar nessa pessoa” (cf. Jo 14,23). O Salmo 118,11 diz: “Conservei no coração vossas palavras, a fi m de que eu não peque contra vós”. E São Bernardo de Claraval escreve: “Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costume. Se assim guardares a Palavra de Deus, certamente ela te guardará”.

   também na leitura da Escritura”. Nosso desejo é que cada cristão seja uma casa da Palavra e no coração de cada um a Palavra seja acolhida e se transforme em vida para a vida da Igreja e do mundo.

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A vida é sagrada

Vamos valorizar a vida cuidando da naturez

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
   Toda a criação é expressão do Amor de Deus. No centro da criação Deus colocou a humanidade: "Homem e mulher ele os criou à sua imagem e semelhança" (Gn 1,27). Portanto, a vida é dom de Deus e, por isso, é sagrada.

    A Igreja nos exorta ao exercício da liberdade que nos leva a valorizar a vida. Sempre que optamos pela vida e decidimos fazer o bem estamos em pleno exercício da liberdade de filhos de Deus. A Igreja crê e ensina que desde a concepção no útero materno a vida humana existe como dom de Deus e não pode ser interrompida. A mulher e o homem receberam a graça de procriarem para continuar a vida humana que é sagrada. Por isso, não se pode matar a vida concebida como fruto da união de ambos.


    Temos que desenvolver a consciência iluminada pela fé que diz: "Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito Santo habita em     
vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós" (1Cor 3,16-17). Então, precisamos acolher cada pessoa com reverência. Respeitar a mulher e o homem. Homem e mulher acolhendo com respeito e gratidão a vida que Deus concedeu através deles. A possibilidade de uma nova vida é sinal de esperança para o mundo. É uma luz que brilha trazendo alegria e paz. Toda criança é bem-vinda porque traz a boa notícia de que somos de Deus, todo esse mundo é de Deus e haverá um futuro para nós.

   O Papa Francisco recentemente lançou a carta Encíclica "Laudato si – sobre o cuidado de nossa casa comum". Vamos valorizar a vida cuidando da natureza, investindo na criança, acreditando no jovem, não discriminando a mulher, respeitando a pessoa idosa e convertendo o nosso coração para o amor a Deus e ao próximo.

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Fortes na fé

É a fé agindo em nós pela caridade
que pode nos tornar saudáveis
e mais felizes

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
   A fé é graça, dom de Deus. Mas a graça supõe a natureza. Por isso, temos que nos esforçar para crer. É um exercício necessário porque constatamos que existe sempre, entre nós, em nossas comunidades uma crise de fé. Há aqueles que não sabem em que ou em quem creem, por isso, perdem o ânimo e a esperança. É preciso, portanto, verificar a profundidade da nossa fé: "A fé é o fundamento da esperança e a convicção das realidades que não vemos" (Hb 11,1).

    Crer supõe colocar Deus no centro da nossa existência e de todas as nossas ações. Deus é o foco e não o nosso eu, nossos interesses e nossos sofrimentos. Nas horas difíceis, quando lutamos muito e nada conseguimos, nos fracassos pessoais, nas contradições e na solidão é que temos a oportunidade de verificar o quanto que confiamos na presença e na ação de Deus em nossa vida. Jesus repreendeu os discípulos que nada puderam fazer diante do endemoniado epilético: "Vocês não conseguiram expulsá-lo porque vocês
    
são fracos na fé" - e acrescentou - "se vocês tiverem fé como um grão de mostarda, vocês dirão a esta montanha: transporte-se daqui para lá, e ela se transportará, e nada será impossível para vocês" (cf. Mt 17,19-20). Precisamos acreditar (dar crédito) em Jesus e na força da sua Palavra se queremos transpor as "montanhas" que existem entre nós: egoísmo, orgulho, mentira, ódio, inveja, vaidade, rixas, ciúmes, luta pelo poder, preconceitos... Pela fé é que podemos orar humildemente: Senhor Jesus, vem nos libertar e salvar da nossa condição humana ferida pelo pecado e pela morte.

   É a fé agindo em nós pela caridade que pode nos tornar saudáveis e mais felizes. Exercitados na fé chegamos à consciência de que viver e promover a fraternidade entre os homens e mulheres é o único modo legítimo de crer em Deus. Por isso, acolhamos a provocação que Jesus nos faz: "Quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas"(Jo 14,12).

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Perpétuo Socorro

Comemorações dos 150 anos
da entrega do "Ícone do Amor"
pelo papa aos redentoristas

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
   Para os redentoristas e as comunidades onde realizamos a missão, junho é o mês de celebrar a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Neste ano, com uma característica toda especial, pois estamos iniciando as comemorações dos 150 anos da entrega do "Ícone do Amor" pelo papa aos redentoristas, para que esta devoção fosse conhecida no mundo inteiro.

    Somos convidados a aprender de Maria a atitude de ouvir, guardar no coração e colocar em prática a Palavra de Deus. Quem ama o Filho de Maria, guarda e observa a sua palavra, os seus ensinamentos. Quem ama Nossa Senhora, acolhe o seu bom conselho de Mãe: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Maria traz Jesus, nosso Perpétuo Socorro, nos braços, e o entrega para nós. Com o seu olhar materno, ela nos acompanha a todo instante com misericórdia, ternura e paz. Com as suas mãos generosas, Maria nos conduz com segurança no Caminho, na Verdade e na Vida que é Jesus.


    A Mãe do Perpétuo Socorro nos ensina a acolher a fé como dom, iniciativa do amor de Deus por nós. A Mãe do Perpétuo Socorro nos ensina a acolher a fé como dom, iniciativa do amor de Deus por nós. Ela nos inspira a corresponder ao dom de Deus através do amor e serviço que oferecemos gratuitamente aos irmãos. A fé nos torna felizes quando, do jeito de Maria, acolhemos a Palavra e nos colocamos a caminho para amar e servir, pois a fé age pela caridade e a fé sem obras é morta.
Maria, sempre atenciosa para com todos, demonstra que a todo momento urge amar e servir. A Mãe de Jesus nos provoca a sairmos de nós mesmos para irmos, às pressas, ao encontro daqueles que precisam do Perpétuo Socorro. Se amamos Nossa Senhora vamos levar às pessoas a alegre esperança e a paz que só Jesus pode dar.

   O Magnificat é expressão da espiritualidade de Maria, refl exo do seu coração enraizado nas profundezas do coração de Deus. Rezando com Maria, o "minha alma engrandece", temos a oportunidade de cultivar nossa gratidão a Deus que nos escolhe porque nos ama. Com Maria cultivamos a humildade e a alegria de sermos livres da mania de grandeza. Rezando com Maria aprendemos a confi ar nas promessas de Deus e a esperar nas suas demoras porque ele é sempre fi el e misericordioso. A Mãe do Perpétuo Socorro nos ajuda a crer e esperar na ação de Deus que porá fi m a toda ordem injusta. Mulher forte, Maria experimentou o sofrimento na pobreza de Belém, no exílio para o Egito, na rotina da vida em Nazaré, na subida para o calvário, aos pés da Cruz do seu Filho e quando o recebeu morto em seus braços para ser sepultado. Diante de todas essas situações, Maria não desanimou e nem desistiu da vida. Manteve a esperança que não decepciona. A Mãe da Esperança nos livre de todo desespero e nos ajude a sermos profetas da esperança de um mundo melhor.

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Pessoa de Deus

"Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que
crê em mim não permaneça nas trevas"(Jo 12,46).

Pe. Fábio Bento da Costa, CSsR
Mestre dos Noviços
   Deus nos criou à sua imagem e semelhança no amor (cf. Gn 1,27; Ef 1,4). Nunca é demais recordar esse ensinamento da Revelação, porque corremos o risco de nos esquecer que somos de Deus. Mesmo vivendo a vida cristã como leigos, religiosos ou padres podemos nos tornar pessoas de alma acomodada e espiritualmente anêmicas. Necessitamos orar e vigiar para que os nossos sentimentos sejam santificados e os nossos desejos sejam evangelizados. Nossas intenções precisam ser purificadas e temos que nos empenhar para nos converter continuamente. Tornar-se a cada dia uma pessoa melhor é obra do Espírito Santo agindo em nós. Mas é também o resultado do nosso querer, exercício da nossa liberdade, abertura do coração de quem deseja crescer para produzir frutos bons na vida.

    Como verificar que somos de Deus? São João nos ajuda a responder: somos de Deus "porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. Este é o seu
mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu" (1Jo 3,22-23). Portanto, se temos fé, devemos amar os irmãos. A pessoa que é de Deus não guarda sentimentos e atitudes de rancor, ódio, mágoas, rixas, ciúmes, inveja... Quem tem fé em Jesus Cristo é dominado pelo amor e pela humildade: por isso perdoa, relativiza as ofensas, dobra o orgulho, vai ao encontro, dialoga, compreende, acolhe.

   Sempre é tempo de tomar a decisão de ser uma pessoa de Deus. Deixe de ser "insensato de coração e lento para crer". A fé em Jesus Cristo, como o amor aos irmãos, "se não for um compromisso de todos os dias será a saudade de toda a vida. Só quem tiver a audácia de crer e amar não conhecerá essa saudade... Só o amor é credível!" (Bruno Forte).

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A luz vem ao mundo

"Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que
crê em mim não permaneça nas trevas"(Jo 12,46).

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
   O tempo litúrgico do Advento nos prepara para a vinda do Senhor na celebração do Natal. É um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele vem, pela fé, renascer em nossos corações. O encontro com Jesus ilumina e alegra a nossa vida e nos devolve a esperança por um futuro bom.

    Que cada um de nós esteja vigilante e em atitude de oração para acolher a Luz do alto que vem nos visitar: "Deus é luz e nele não há treva alguma. Se caminhamos na luz, como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros" (1Jo 1,5.7). Portanto, quem acolhe a Luz, torna-se livre de toda rixa, contenda e ciúme, busca pacificar o coração para viver em comunhão com os irmãos. E quando é difícil olhar nos olhos de algum irmão ou quando estamos feridos, podemos confiar e esperar que o amor de Deus colocará a nossa cabeça e o nosso coração no eixo. Nunca podemos esquecer que Deus é Pai e sempre vem ao nosso encontro com amor eterno para nos perdoar e nos socorrer em nossas fraquezas. Por meio do Menino Jesus, o Pai Eterno ilumina a nossa vida e revela o seu amor por nós: "Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas" (Jo 12,46).

    Jesus Cristo ilumina a nossa vida e restaura em nós a alegre esperança para sermos, com ele, luz e vida para o mundo. Não deixemos que as dificuldades do momento tirem o brilho do amor de Deus que há em nós. Cada um de nós é maior que os problemas que possa ter e é justamente nas horas
difíceis que temos a oportunidade de testemunhar ao mundo a razão da nossa fé "Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas"(Jo 12,46).

   Jesus Cristo ilumina a nossa vida e restaura em nós a alegre esperança para sermos, com ele, luz e vida para o mundo. Não deixemos que as dificuldades do momento tirem o brilho do amor de Deus que há em nós. Cada um de nós é maior que os problemas que possa ter e é justamente nas horas difíceis que temos a oportunidade de testemunhar ao mundo a razão da nossa fé e da nossa esperança. Quem
encontra Cristo encontrou a alegria de viver. Conservemos no coração o mandamento do amor para que a nossa alegria seja plena.

     O amor é que ilumina e alegra a vida. O verdadeiro amor se revela nas atitudes. Quem ama como Jesus amou não discrimina pessoa alguma. O amor não faz justiça com as próprias mãos, isto é, não aceita a "lei do olho por olho, dente por dente". Quem ama perdoa, reparte o pão e paga o mal com o bem. Se amamos, as portas do céu se abrem para nós. Jesus é a maior expressão do amor do Pai por nós. Ele veio ao mundo para nos ensinar a amar porque o amor é a única força que liberta e salva.

    Que a ternura do Menino Jesus desperte em nós o amor aos irmãos para vivermos alegres e iluminados. Feliz e abençoado Natal para todos.(voltar)



Missionários do amor de Deus

A pregação do redentorista é para recordar
às pessoas o tanto que Deus nos ama

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
   No dia 09 de novembro de 1732 nascia a Congregação Redentorista. Santo Afonso afastou-se da cidade e foi recolher- se nas montanhas porque estava cansado. Esse fato simples foi a ocasião que Deus reservou para se manifestar na vida de Afonso. A Congregação Redentorista é fruto do amor de Deus. A experiência que Santo Afonso fez do amor de Deus, abriu os seus olhos e o seu coração para contemplar e acolher o povo simples e pobre que andava abatido como ovelha sem pastor. Afonso sentiu compaixão daquela gente. Ele cresceu na consciência de que fora ungido para evangelizar os pobres e não teve mais descanso. Decidiu formar um grupo de homens que tivessem fé profunda, esperança alegre e caridade apostólica para testemunhar e anunciar aos mais pobres o evangelho do amor de Deus que a todos quer salvar.

    Hoje, os redentoristas assumem o desafio de manter vivo na Igreja o carisma fundacional da Congregação. Isso só é possível ao redentorista que estiver enraizado nas profundezas do coração de Deus. Sem uma profunda e verdadeira experiência do amor de Deus não é possível testemunhar e anunciar o evangelho da copiosa redenção. O que move o missionário redentorista a sair para evangelizar os mais pobres é o amor de Deus que ele experimenta na própria vida: "Nisto conhecemos o Amor: ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos"(1Jo 3,16). Para doar a vida aos irmãos, testemunhando e anunciando o evangelho do amor que
redime, o missionário redentorista se esforça para ser disponível, dinâmico e criativo. Quando um redentorista se acomoda e coloca restrições para sair em missão, é sinal de que não experimentou o amor de Deus ou esfriou no amor porque descuidou da sua vida espiritual. Cultivar a vida interior, a intimidade com o Santíssimo Redentor é cuidar para que a nossa vida tenha profundidade e esteja enraizada em Deus.

     Na força da fé, na alegria da esperança e com o amor de Deus que foi derramado em seu coração pelo Espírito Santo, o missionário redentorista proclama: "Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus!"(Ef 2,4-5.8). Ouvir e acolher no coração essa mensagem do amor de Deus manifestado a nós por meio de Jesus Cristo, ilumina a vida, traz esperança e paz. A pregação do redentorista é para recordar às pessoas o tanto que Deus nos ama e suscitar nos corações a liberdade para corresponder a tanto amor, mediante a conversão para viver a vida nova em Cristo.

     Que a exemplo de Santo Afonso, São Geraldo, São Clemente, Pe. Pelágio e de tantos outros missionários santos, nós sejamos também santos, audaciosos e vigorosos no anúncio da copiosa redenção.(voltar)



Gratuidade na ação social

Toda a ação social realizada pelos missionários
redentoristas é sinal da nossa gratidão a Deus

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
   A Palavra de Deus ensina que tudo o que somos e temos é graça, dom de Deus. O amor de Deus nos concede muitos dons. Por isso temos que ser agradecidos: "Dai Graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia".

    A consciência irrigada pela gratidão leva a pessoa a ser humilde para reconhecer que deve tudo a Deus e aos irmãos. O humilde é capaz de servir, ajudar e partilhar com os outros por gratuidade, sem interesse próprio e sem querer vantagem ou privilégio por ter feito o bem sem olhar a quem. A gratidão nos faz humildes e gratuitos, convictos de que "não devemos nada a ninguém, a não ser o amor mútuo".

   A pessoa orgulhosa, ao contrário, não sabe agradecer, pensa não precisar de ninguém, basta- -se a si mesma, é ingrata, macula os dons e os bens da vida por ser incapaz de ajudar e partilhar com quem necessita. É o egoísta.

   Toda a ação social realizada pelos missionários redentoristas é sinal da nossa gratidão a Deus, que nos cumu
-la de dons, e a tanta gente que nos oferece recursos para podermos ajudar, socorrer e promover pessoas para que tenham dignidade. Todo o bem que fazemos a uma pessoa é sinal do nosso amor a Jesus Cristo e oportunidade para sermos exercitados na humildade, gratidão e gratuidade.

     O serviço prestado por amor aos pobres revela que acreditamos em Jesus Cristo, presente no irmão necessitado: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber". Um pedaço de pão e um copo com água dados por amor podem ser a nossa senha para entrar na vida eterna.

     Então, continuemos amorosos, agradecidos, humildes e gratuitos, partilhando com os mais pobres os dons e os bens que recebemos de Deus. Quando nascemos, nada trouxemos ao mundo e na nossa morte nada levaremos do mundo. Deixemos nesta terra o amor que semeamos e as boas obras que fizemos como frutos da nossa gratidão à bondade da vida.(voltar)



Viver e anunciar o Evangelho

O grande desafio para o missionário é ser um homem de fé
num contínuo processo de conversão.

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    Refletir sobre a ação evangelizadora da Igreja nos faz lembrar do Apóstolo Paulo, o missionário das Nações, que tinha paixão por Jesus Cristo e uma clara certeza de que a sua vida estava a serviço do Evangelho: "Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16). Inspirados e provocados pelo ensinamento e pelo exemplo de São Paulo, todos os batizados que fazem a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo pela fé, têm a obrigação de anunciar o Evangelho e testemunhar que Jesus Cristo é o Senhor. Muito mais espera- -se essa atitude daqueles que consagraram a vida para ser missionários.

    Os missionários redentoristas aplicam a si mesmos as palavras do Apóstolo – "Ai de mim se eu não evangelizar!" – porque têm consciência de que existem para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus aos mais pobres e abandonados. "A Congregação participa do mandato da Igreja que, por ser sacramento universal de salvação, é, por natureza, missionária" (C. 1). A nossa ação evangelizadora tem por objetivo levar as pessoas ao pleno conhecimento de Jesus Cristo pela fé, e, consequentemente, à conversão para que vivam na dinâmica do Reino de Deus e cheguem à salvação.

    O grande desafio para o missionário é que ele seja um homem de fé e que esteja em contínuo proces
-so de conversão. Palavra  e  atitude  não   se separam. Por isso, nossos desejos e nossos sentimentos precisam ser evangelizados, pois o modo de viver do missionário é um eloquente anúncio do Evangelho, ou não..

     Crer em Jesus Cristo e viver de acordo com o Evangelho é tarefa dura porque exige renúncias, rupturas, podas, disposição para perder e para morrer. É o dilema do cristão que vive no mundo sem ser do mundo. Viver segundo o Evangelho e ser um evangelizador implica andar na contramão do mundo. Poucos têm essa coragem. É mais fácil e dá prazer entrar no esquema do mundo. É pena ver jovens cristãos, inclusive na Vida Religiosa, acomodados na zona de conforto do mundo, aderindo ao que é supérfluo e se entupindo de coisas na ilusão de preencher o vazio existencial. Tornam-se superficiais e perdem o sentido da vida. A juventude devia ser criativa, dinâmica, crítica e lúcida para fazer a diferença no mundo sem sal e sem luz. O Papa Francisco chamou a atenção dos cristãos para "o risco de se tornarem mundanos". É triste encontrar "cristãos diluídos, que se parecem com o vinho aguado, e já não se sabe se são cristãos ou mundanos".

     Anunciar o Evangelho é nossa obrigação porque consagramos a nossa vida para isso. A graça de Deus nos conceda ser homens de fé profunda, de esperança alegre e inflamados de caridade para testemunhar que Jesus Cristo é o centro e o fundamento da nossa vida.


Homens da Palavra

O redentorista se coloca como discípulo a cada
manhã para ouvir a voz do Senhor

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    O missionário redentorista existe na Igreja para "continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus, como disse Ele de si mesmo: Enviou-me para evangelizar os pobres" (C.1).

    Para realizar a sua misPara realizar a sua missão de pregar a Palavra de Deus, o redentorista tem que se alimentar da Palavra a exemplo do profeta Ezequiel e de tantos outros que anunciaram não a si mesmos e nem as suas ideologias, mas a Palavra que ouviram e dela se alimentaram: "Come este livro e vai falar aos filhos de Israel... Eu o comi, e era doce como mel em minha boca. Disse-me, então, o Senhor: Dirige-te à casa de Israel e fala-lhes com as minhas palavras"( cf. Ez 3,1-4). O próprio Jesus falava ao povo o que Ele ouvia do Pai. O ensinamento de Jesus expressava a vontade do Pai, fruto da sua comunhão com o Pai (cf. Jo 5,19-47).

    O redentorista, homem da Palavra, põe-se como discípulo a cada manhã para ouvir a voz do Senhor que lhe fala no coração e na consciência. Como ouvinte da Palavra, o redentorista sente arder o coração e, por isso, sai em missão para anunciar e testemunhar a Palavra. Da intimidade com Deus é que o redentorista adquire sabedoria para levar às pessoas uma palavra de esperança, de consolo e de paz, exortando para que se convertam. Quando o redentorista anuncia a Pala-
de Deus, ele o faz com convicção porque experimenta na própria vida a força transformadora da "Palavra que é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, capaz de julgar as disposições e as intenções do coração"(cf. Hb 4,12).      Porque Jesus Cristo é o fundamento e a meta da sua vida, o missionário redentorista guarda a Palavra no seu coração como expressão do seu amor incondicional ao Redentor. Todo filho de Santo Afonso acolhe o ensinamento do Apóstolo Paulo a Timóteo: "Permanece firme. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra"(cf. 2Tm 3,16-17). Por isso, o redentorista "proclama a Palavra, insiste, no tempo oportuno e no inoportuno, refuta, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina" (2Tm 4,2). Pregamos a Palavra para fazer Jesus Cristo conhecido e amado. Pregamos a Palavra para que as pessoas creiam, se convertam e experimentem o amor de Deus que a todos perdoa e salva para a vida eterna.

     Homens da Palavra precisam ser também homens de palavra: "Seja o vosso 'sim', sim e vosso 'não', não. O que passa disso vem do maligno"( Mt 5,37). O Bom Deus nos ajude a assumir nossa missão com responsabilidade e fidelidade.



Humanos, santos e felizes

O que importa é seguir caminhando, dando passos
de qualidade no percurso da vida

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    Vocacionados à vida, todos nós recebemos dons que precisam ser cultivados para que a nossa passagem por este mundo seja fecunda. Portanto, cada um de nós é autor da própria felicidade e para isso somos agraciados com os dons da inteligência, da liberdade e da vontade. Nossas escolhas e decisões são o resultado da articulação coerente que fazemos entre razão, liberdade e vontade. Ser feliz, isto é, ser plenamente humano e santo, é a nossa vocação, tarefa para a vida inteira.

    Só Deus é santo, mas ele nos chama à santidade. Pelo Batismo participamos da vida divina, isto é, nos tornamos santos. Contudo, estamos sujeitos ao pecado, somos vulneráveis, inconstantes e fracos. Por isso temos que ser exercitados no amor de Deus. Temos que saber lidar com a razão, a liberdade e a vontade própria para chegarmos à compreensão e realização da vontade de Deus. Seremos verdadeiramente felizes, humanos e santos se fizermos a vontade de Deus. Ser feliz, plenamente humano e santo, consiste em amar a Deus e ao próximo. Quanto mais humanizados, mais san-
tificados e felizes. Isso se verifica em nossa vida quando nossas atitudes ma- nifestam a nossa comunhão com Deus e com os nossos irmãos: amor, bondade, misericórdia, perdão, paciência, acolhimento, respeito... são atitudes que revelam nossa maturidade humana e espiritual.

     É preciso esforço pessoal e empenho para chegar "à estatura e maturidade do homem novo" que vive segundo a graça de Deus. Por isso, Dom Hélder Câmara ensina que "ser santo é recomeçar sempre, simples e humildemente, depois de cada queda". O importante é não ficar caído, nem estacionado e nem desistir. O que importa é seguir caminhando, dando passos de qualidade no percurso da vida. Se cada um de nós acolher a vocação para ser humano, santo e feliz, certamente será uma pessoa sã, saudável, diferente e fará a diferença na comunidade onde convive. Que nossos irmãos em casa e aqueles que encontramos na missão possam desfrutar da nossa presença humana e feliz e também sentir o perfume da nossa santidade.




Somos a família do Pai Eterno

A comunidade é o lugar especial para viver, cultivar, renovar e
celebrar o dom e a alegria de sermos a família do Pai Eterno

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    "Vede que prova de amor nos deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus. E nós o Somos!" (1Jo 3,1). Pelo Batismo recebemos a graça de nos tornarmos filhos de Deus. Em Jesus Cristo, o Filho Unigênito, pela graça do Espírito Santo, o Pai Eterno assume a todos nós como filhos e nos dá a alegria de participarmos da sua vida divina. Que maravilha! Nosso destino é a eternidade. Que bênção! Somos todos irmãos, chamados à comunhão. Formamos, assim, a família do Pai Eterno. O mundo saberá que somos filhos através do nosso testemunho de irmãos que se amam mutuamente: "Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (Jo 13,35).

    Jesus, o Filho, nos ensina a viver e agir como filhos: "Amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem, perdoai sempre, sejam bons para com todos, porque agindo desse modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus" (cf. Mt 5,43-48). O outro,  portanto,  não  pode  ser  visto
como ameaça ou alguém para competir. O outro que vive ao nosso lado ou passa pelos nossos caminhos é nosso irmão. Toda e qualquer pessoa é a oportunidade que Deus nos concede para sermos exercitados na capacidade de fazer o bem e de amar.

     O amor de Cristo nos congrega e faz de nós uma só família na Igreja. Professamos a mesma fé e recebemos o mesmo batismo para vivermos em comunidade. A comunidade é o lugar especial para viver, cultivar, renovar e celebrar o dom e a alegria de sermos a família do Pai Eterno. Na escuta da Palavra, no exercício da oração, na celebração dos sacramentos e pela prática da caridade é que podemos viver e crescer como família de Deus na terra para sermos, um dia, família de Deus no céu.

     A Mãe da Esperança nos livre de todo desespero e nos ajude a sermos profetas da esperança de um mundo melhor.


Alegrai-vos! Não tenhais medo!

"Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós.
E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16)

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    O cristão passa pela cuz, mas não permanece nela porque Aquele que é o fundamento da sua fé e a razão da sua esperança passou pela cruz, mas não permaneceu crucificado. O discípulo não é maior que o Mestre e, por isso, é chamado a segui-lo na vida, na missão e no seu destino: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas, o que perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, irá salvá-la" (Mc 8,34-35). Porque crê e tem esperança, o discípulo pode dizer de si mesmo como disse o Apóstolo das Nações: "Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2,19-20).

    A vida cristã, o seguimento de Cristo, embora passe inevitavelmente pela cruz e pela morte, não é uma corrida para a sepultura. A cruz está vazia e o túmulo, no qual pretenderam aprisionar Jesus, também está vazio. O cristão não corre ao encontro do vazio, do que não tem sentido. O cristão percorre um longo e estreito caminho para encontrar Aquele que dá sentido à
sua vida. Na busca pela plenitude da sua vida, o cristão é surpreendido pela iniciativa do Ressuscitado que se deixa ser encontrado suscitando, no discípulo, a fé e o amor: "Alegrai-vos. Não tenhais medo!" (Mt 28,9-10).

     O cristão, discípulo do Eterno Vivente, é mensageiro da esperança, portador da alegre notícia de que a vitória é sempre da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da graça e do perdão sobre o pecado, do bem sobre o mal e da luz sobre as trevas. Ainda que homens e mulheres conspirem ao contrário, o cristão, sem medo e sem violência, segue de cabeça erguida anunciando e testemunhando que a palavra final da história será vida.

     A fé pascal nos põe a caminho da Galileia de hoje, a exemplo do que ocorreu com os primeiros discípulos. A fé, a esperança e o amor suscitados no encontro com o Ressuscitado nos levam às periferias da existência humana, aos lugares de conflito, aonde a vida é ferida, ao encontro dos empobrecidos e sem esperança para anunciar-lhes o Evangelho e ajudá-los a encontrar o sentido da vida. Pode ser que assim, a humanidade perca o medo e experimente a alegria de viver.



Caminho da Vida Cristã

"Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós.
E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16)

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    A vida cristã é um caminho que conduz à plenitude que é o encontro com Deus face a face.

    Nosso humano coração anseia pelo Deus vivo, e indagamos quando veremos porque só na presença de Deus, sob seu olhar, é que temos a felicidade sem fim. Esse caminho só pode ser percorrido na fé que é entrega e adesão sem reservas a Jesus Cristo. Crer é difícil, e exige conversão. É preciso deixar velhos costumes, abandonar a dependência do mal e criar, todos os dias, disposição para acolher Jesus Cristo e escolher fazer o bem, amar sem reservas, e entregar a própria vida para que o outro cresça e se realize plenamente. Assim viveu Jesus para nos ensinar e ajudar a fazer o mesmo.

     Neste mês de abril, celebraremos o mistério da Páscoa de Cristo. No caminho para a plenitude está a Cruz, que é sinal de vida doada, fidelidade à vontade de Deus e expressão máxima de liberdade e amor. Sem Cruz não há vida cristã, e se há alguém que não tem cruz, é porque
não está no caminho que leva à plenitude. Então, as cruzes e crises precisam ser acolhidas com fé, como possibilidade de crescimento e amadurecimento na vida cristã. Se acolhidas com fé, as cruzes e crises tornam-se experiências grávidas de esperança, pois revelam a nossa existência finita e abrem para nós o horizonte do infinito, onde Deus nos espera para o eterno abraço.

     O encontro lá no final do caminho será possível mediante o encontro com Cristo ao longo do caminho. O encontro com Cristo, à luz da fé pascal, traz alegria, esperança e paz, cria força e coragem para amar, vencer o mal e ser solidário, agindo com compaixão, sempre atentos e solícitos diante dos irmãos e irmãs que sofrem com o peso da cruz da própria existência, ou com o peso das cruzes impostas pela injustiça social. A vida cristã é caminho para a eternidade que começa no tempo que nos é dado viver para amar nossos irmãos: "Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16).


Patrono da Província

Evangelizando os simples e os intelectuais,
São Clemente foi criativo e ousado

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    No dia 15 de março, fazemos memória de São Clemente Maria Hofbauer. Um genuíno missionário redentorista, responsável pela expansão da Congregação para além dos Alpes. Homem forte na fé, alegre na esperança e cheio de caridade apostólica, Clemente enfrentou críticas e oposição dos redentoristas que viviam no Reino de Nápoles e nos Estados Pontifícios e foi duramente perseguido pelo Estado anticlerical e absolutista. Várias vezes viu sua obra destruída e teve que começar tudo de novo noutro lugar. Nenhuma dessas dificuldades intimidou Clemente. Ele alcançou e centralizou a vida em Jesus Cristo aplicando a si mesmo as palavras do Apóstolo Paulo: "Somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em extrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. Incessantemente e por toda parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Por isto não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno da glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem; pois o que se vê é transitório, mas o que não
se vê é eterno" (2 Cor 4,8-10.16-18).

     São Clemente foi criativo e ousado no modo de pregar o Evangelho, atraindo pessoas simples e alcançando o coração de vários intelectuais de seu tempo. Ele teve uma dedicação especial às crianças através de orfanatos e colaborou com a formação da juventude indicando que "o mandato conferido à Congregação de evangelizar os pobres visa a libertação total da pessoa humana através do anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres" (Const. 5). É de São Clemente o pensamento que inspira os redentoristas que hoje buscam reestruturar a vida num contínuo processo de conversão e renovar as estruturas para a missão: "Anunciar o Evangelho de modo sempre novo" (São Clemente).

   Por tudo isso é que os redentoristas de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins escolhemos São Clemente para ser o nosso patrono. Animados pelo testemunho de Clemente e certos de que ele intercede por nós, prosseguimos realizando a nossa missão com ousadia, esperança, ardor, criatividade e perseverança. Nos santuários e nas paróquias, pelos meios de comunicação social e nas obras sociais, na formação dos seminaristas e da juventude redentorista, vamos anunciando e testemunhando a abundante Redenção em Cristo Jesus.



Chamados à liberdade

"A minha vida, ninguém a tira de mim,
mas eu a dou livremente" (Jo 10,18).

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    No íntimo de cada um de nós há um clamor por liberdade que só poderá ser atendido se nos voltarmos para Jesus Cristo, o Homem livre. Ele é livre porque sai de si mesmo para ir ao encontro do outro para oferecer vida em plenitude e salvação: "A minha vida, ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente" (Jo 10,18). Jesus é livre porque, em tudo, realizava a vontade do Pai. Ele aceitou, livremente, "esvaziar-se de sua condição gloriosa junto de Deus, para fazer-se homem, servo humilde, e obediente até à morte, e morte de Cruz" (cf. Fl 2,6-11).

    Porque livre, Jesus passou pelo mundo fazendo o bem e amou até o fim, entregando a sua vida pela salvação de todos. Pela sua morte na Cruz, "Cristo nos libertou para a liberdade" (Gl 5,1). Por isso, não podemos viver como escravos do pecado que se manifesta em nós de muitos modos: egoísmo, vaidade, rixa, inveja, ciúme, ganância, ódio, indiferença, vingança e todo tipo de paixão desordenada.

  De tudo isso, fomos libertados, mas não isentos. Corremos o risco de decair da graça de Deus e regredir na vida, perdendo a liberdade.

     Por isso, temos que ser vigilantes para perceber que nem tudo nos

convém. Ser livre é custoso, tarefa exigente e conquista de cada dia. A liberdade em Cristo, como a fé e o amor, "se não for empenhamento de todos os dias será a saudade de toda uma vida... Só quem tiver audácia não conhecerá esta saudade" (Bruno Forte).

    A nossa liberdade consiste na busca e na realização da vontade de Deus. Somos livres e fiéis em Cristo quando saímos de nós mesmos para fazer o bem e amar os irmãos. Permanecer em si mesmo, deixar de fazer o bem e restringir o amor é tornar-se escravo dos próprios interesses, deixando- -se levar por desejos e sentimentos não evangelizados. Portanto, ser livre não é fazer o que queremos.

     O nosso querer precisa estar de acordo com a vontade do Pai e em sintonia com a nossa condição de filhos de Deus. Neste sentido, ser livre é decidir e escolher agir pelo Espírito Santo que habita em nós para testemunhar que somos filhos de Deus. Se nos deixarmos conduzir pelo Espírito, nossas atitudes serão de "amor, alegria, paz, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio" (cf. Gl 5,22-25).

    Vivendo na liberdade dos filhos de Deus, à qual fomos chamados, seremos felizes e o mundo será melhor.



Chamados a ver Jesus

Quem vê o Senhor
recebe a missão de anunciá-lo ao mundo

Pe.Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
    As celebrações do Natal, da Epifania e do Batismo do Senhor nos ajudam a fazer a experiência da fé que nos permite ver Jesus. Todo aquele que vê Jesus é visto por ele e recebe a missão de mostrá-lo aos outros. Assim aconteceu com Filipe que, tendo encontrado Jesus, procurou mostrá-lo para Natanael. Diante da dúvida do companheiro, Filipe o convida: "Vem e vê". Natanael foi ver e ficou surpreso por ter sido visto primeiro por Jesus: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira". Aquele israelita encontrou Jesus e tornou-se discípulo missionário do Senhor.

    Os pastores, após a alegre notícia do nascimento de Jesus, foram a Belém para ver e adorar o Senhor. Também os magos do Oriente puseram-se a caminho para ver e adorar o Salvador de toda a humanidade. No Templo, por ocasião da apresentação do Menino Jesus, o velho Simeão e a profetiza Ana puderam ver a Esperança de Israel e creram no coração que aquele menino era o Messias: "Agora, Senhor, podes deixar teu servo partir em paz porque meus olhos viram tua Salvação". Todos esses viram, foram vistos e mostraram Jesus aos outros.

    Mais tarde, João Batista vê Jesus aproximar-se dele e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo... Vi o Espírito descer e permanecer sobre ele. Eu vi e dou testemunho de que ele é o Eleito de Deus". E, assim, foram muitos os que procuraram ver Jesus, foram vistos por Ele e passaram a mostrá-lo para os outros: o cego Barti-
meu, Zaqueu, o moço.

    Hoje, cada um de nós continua sendo chamado a ver Jesus para mostrar Jesus. O discípulo missionário, se não experimenta Jesus, corre o risco de apresentar-se a si mesmo para os outros e chega a agir como se fosse maior que o Mestre e mais importante que a mensagem a ser anunciada. No altar o centro é Jesus. Os ritos, a mensagem e os ministros devem levar os fiéis à experiência de fé que permite ver Jesus. É preciso muito cuidado, vigilância e discernimento para não se deixar levar pela vaidade. A vaidade nos coloca no alto, tira a escada e, assentada, espera a nossa queda. Na queda final da vida, terminamos todos iguais: com terra por cima e na horizontal. Então por que vaidade, orgulho e mania de grandeza? Cultive a humildade, seja simples, procure tratar a todos com atenção, bondade e ternura. "Lembre-se que você é pó" e por melhor que seja, um dia falhará e faltará. Todo monumento, por maior e mais belo que seja, é só chegar perto e podemos ver poeira. Que nenhum de nós se deixe enganar por bajuladores, pois os lábios que elogiam são os mesmos que maldizem e as mãos que afagam e aplaudem são as mesmas que apedrejam.

    Neste ano procuremos ver Jesus e deixemos que o olhar do Senhor purifique os nossos corações para vivermos reconciliados e em paz, verdadeiros anunciadores do Evangelho.



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