Palavra do Fundador
Jesus Redentor: fundamento da nossa vida
É belo ver na Congregação homens que se deram inteiramente a Deus, que vivem neste mundo sem compactuar com as corrupções deste mundo
Pe. Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
Iniciamos o mês de agosto, dedicado à oração pelas vocações, celebrando a memória do nosso fundador e pai espiritual Santo Afonso Maria de Ligório. Por isso, proponho para todos nós a exortação que Santo Afonso nos faz para cuidarmos da nossa vocação:
"Finalmente, a advertência a quem quiser entrar na Congregação é tomar a seguinte decisão: ser santo e assumir todas as dores interiores e exteriores a fim de ser fiel a Deus e não perder a sua vocação. E se assim não estiver resolvido, exorto a não enganar a si mesmo e aos outros. Por isso não entre! Porque isso é um sinal de que não é chamado, ou que não quer responder ao chamado, o que é ainda pior. É melhor que se ocupe fora para que se perca essa má disposição e se disponha melhor a dar-se todo a Deus para sofrer tudo por ele. Caso contrário, causará dano a si mesmo e à Congregação porque facilmente sairá depois. Então, além de ficar desacreditado diante das pessoas, ficará diante da própria consciência. Perderá, assim, a confiança de dar mais um passo nos caminhos do Senhor.
Por fim, é belo ver na Congregação homens que se deram inteiramente a Deus, que vivem neste mundo sem compactuar com as corrupções deste mundo. Homens que só têm o pensamento de dar gosto a Deus. Na Congregação cada um deve viver somente para a vida eterna. Felizes de nós se dedicarmos a Deus os poucos dias de nossa vida! E, principalmente, deve assim fazer quem passou distante de Deus boa parte de sua vida. Ponhamos diante dos olhos a eternidade e acolheremos tudo com boa vontade e com alegria. Agradeçamos a Deus que nos dá tantos meios para amá-lo nesta Congregação.
Apressemos, irmãos, em adquirir a virtude de agradar a Deus, pensando como dizia Santa Teresa às suas filhas: 'Talvez o máximo para ser santo seja virar as costas para o mundo; e com a graça de Deus, só nos restará fazer o mínimo'. Tenho por certo que Jesus tem preparado grande alegria no céu para os que morrem fiéis ao seu amor na Congregação. Nesta terra seremos pobres, desprezados, tidos como loucos e imprudentes, mas diante dele nossa sorte é outra.
Confiemos sempre em Jesus presente no Santíssimo Sacramento e em Maria Santíssima, pois os membros deste Instituto devem professar um grande amor a Jesus Sacramentado e a Maria Imaculada. Tenhamos bastante confiança! Jesus nos escolheu para sermos grandes em seu Reino, como podemos concluir evidentemente com a proteção que mostra para com a nossa Congregação e com cada um de seus membros em particular. Rezemos: Senhor, completai vossa obra em mim e fazei-me todo vosso para vossa glória, a fim de que eu, como membro desta Congregação, seja causa de alegria para vós até o dia da ressurreição e vos ganhe um bom número de corações. Amém." (Genuíno Redentorista)
A celebração do Santíssimo Redentor nos remete à consciência de nossa vocação específica na Igreja.
Pe. Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial de Goiásl
Todo cristão, e ainda mais o religioso consagrado, precisa estar em contínuo processo de conversão. A vida é dinâmica e não pode ser estagnada. Nenhum de nós poderá acomodar-se em "águas paradas" esperando o tempo passar. É preciso renovar-se!
No prefácio do Documento Final do XXIV Capítulo Geral, Pe. Michael Brehl, chama a nossa atenção para dois dos sete princípios orientadores: "O segundo princípio orientador aprovado pelo Capítulo Geral nos chama a uma conversão que não apenas estimula um novo despertar de nossa Vita Apostólica, mas provoca uma nova disponibilidade para a missão em cada confrade e em cada comunidade. O terceiro princípio orientador nos recorda que essa disponibilidade nos leva a ações concretas que mudarão nosso estilo de vida e nossa pastoral. Essa disponibilidade e essa mudança no estilo de vida e da pastoral são proféticas. Creio que elas estão no coração da conversão à qual somos chamados como congregação e como indivíduos".
A conversão é graça de Deus que precisamos suplicar humildemente na oração: "Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Apaga minhas transgressões, por tua grande compaixão!"(SL 50,3). A conversão é fruto também do nosso esforço pessoal. Cada um de nós precisa desejar e querer mudar de atitudes para ser uma pessoa mais saudável, dinâmica e criativa.
É urgente a abertura do coração e a decisão corajosa de descer do pedestal que cada um construiu para si mesmo, porque "toda carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor"(1Pd 1,24).
Que cada um de nós renove a própria vida, contemplando o Coração do Redentor, aprendendo as virtudes da mansidão e da humildade. Que o nosso coração seja grande para amar e sábio para acolher a Palavra de Deus que nos exorta: "Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo ardor, porque o amor cobre multidão de pecados. Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu"(1Pd 4,7-10).
Renovar a vida
É urgente a abertura do coração e a decisão corajosa de descer do pedestal que cada um construiu para si mesmo
Pe. Fábio Bento da Costa CSsR
Superior Provincial
Todo cristão, e ainda mais o religioso consagrado, precisa estar em contínuo processo de conversão. A vida é dinâmica e não pode ser estagnada. Nenhum de nós poderá acomodar-se em "águas paradas" esperando o tempo passar. É preciso renovar-se!
No prefácio do Documento Final do XXIV Capítulo Geral, Pe. Michael Brehl, chama a nossa atenção para dois dos sete princípios orientadores: "O segundo princípio orientador aprovado pelo Capítulo Geral nos chama a uma conversão que não apenas estimula um novo despertar de nossa Vita Apostólica, mas provoca uma nova disponibilidade para a missão em cada confrade e em cada comunidade. O terceiro princípio orientador nos recorda que essa disponibilidade nos leva a ações concretas que mudarão nosso estilo de vida e nossa pastoral. Essa disponibilidade e essa mudança no estilo de vida e da pastoral são proféticas. Creio que elas estão no coração da conversão à qual somos chamados como congregação e como indivíduos".
A conversão é graça de Deus que precisamos suplicar humildemente na oração: "Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Apaga minhas transgressões, por tua grande compaixão!"(SL 50,3). A conversão é fruto também do nosso esforço pessoal. Cada um de nós precisa desejar e querer mudar de atitudes para ser uma pessoa mais saudável, dinâmica e criativa.
É urgente a abertura do coração e a decisão corajosa de descer do pedestal que cada um construiu para si mesmo, porque "toda carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor"(1Pd 1,24).
Que cada um de nós renove a própria vida, contemplando o Coração do Redentor, aprendendo as virtudes da mansidão e da humildade. Que o nosso coração seja grande para amar e sábio para acolher a Palavra de Deus que nos exorta: "Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo ardor, porque o amor cobre multidão de pecados. Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu"(1Pd 4,7-10).
No Cenáculo com Maria
Neste mês dedicado a Nossa Senhora somos convidados a perseverar na oração suplicando: Vem, Espírito Santo, fortalece a nossa fé, renova a nossa esperança e ensina-nos a amar
Pe. Fábio Bento da Costa cssr
Superior Provincial
O evangelho nos ensina que a encarnação do Verbo de Deus aconteceu por obra do Espírito Santo e pelo sim de Maria. Nossa Senhora é modelo da pessoa humana que, pela abertura do coração, acolhe o Espírito Santo e permanece fiel à ação do mesmo Espírito. Vem, Espírito Santo, ensina-nos a dizer sim à vontade de Deus em nossa vida.
Assim como Deus se aproximou de Maria e lhe falou no coração, pela ação do Espírito Santo, Deus nos revela seu plano de amor. Maria soube dialogar com Deus. Ela foi capaz de ouvir a Palavra e se fez obediente à Palavra. Faça-se em mim segundo a tua Palavra.
Maria nos ensina que é preciso dialogar com Deus e ouvir com fidelidade a voz do Espírito que nos fala no coração e na consciência. Nossa Senhora nos ensina que é preciso confiar na Palavra de Deus e não ter medo de dizer sim. Vem, Espírito Santo, ensina-nos a ouvir e a obedecer a Palavra com confiança e sem medo.
Maria tornou-se bendita e cheia de graça porque aceitou ser a escolhida de Deus. Ela nos ensina a ser livres para acolher a graça de Deus que age com poder em nossa vida. O Espírito Santo nos comunica a graça de sermos amados e escolhidos de Deus para viver a vida nova em Cristo. Em Cristo nós somos novas criaturas para agir com o Espírito Santo em favor da vida.
Nossa Senhora nos ensina que para quem crê em Deus nada é impossível. A fé nos leva a confiar que tudo em nossa vida é obra do Espírito Santo. Diante dos desafios quando não temos força, Deus agirá em nosso favor. Nas horas de sofrimento quando tudo parece perdido e sem saída podemos ter esperança e confiar que Deus é a nosso favor. Quando Deus nos pede uma missão ele nos dá força e coragem para realizá-la. Vem, Espírito Santo, ensina-nos a evangelizar.
Em Maria a Palavra se fez vida e ela se fez servidora da vida. Nossa Senhora trouxe Jesus para nós. Ela nos ensina a servir fazendo da nossa existência uma resposta de amor ao Amor. Pela fé, vivendo segundo o Espírito, recebemos a graça de gerar Cristo em nós para dá-lo ao mundo através das nossas boas ações. Vem, Espírito Santo, ensina-nos a estar a serviço da vida e a comunicar a todos a salvação que é Jesus
Aleluia! O Senhor Vive!
Páscoa! Busca persistente, mesmo na angústia e entre lágrimas, para ver a face do Senhor e permanecer fiel a Ele para testemunhar que Ele vive
A maneira com a qual assumimos o sofrimento, os desafios e conflitos é que nos levará a experimentar o sabor da vitória. Não pode haver páscoa sem a cruz. “Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto” (Jo 12,24). Portanto, a Páscoa será feliz se cada um de nós estiver assumindo o cotidiano com alegria, com atitudes fraternas, com obediência comunitária, com amor gratuito e responsabilidade... e se não for por aí, fica difícil desejar “Feliz Páscoa”. É preciso deixar as atitudes do velho homem corrompido e revestir-se do homem novo gerado à imagem do Ressuscitado. A nossa hora é agora! Não haverá outra hora e ninguém irá fazer por nós o que a vida exige de nós e o que Deus confiou a nós.
Páscoa! Vitória da vida sobre a morte. Insistência da esperança sobre o desespero. Hora de refazer nossa profissão de Fé: “creio na ressurreição da carne, na vida eterna”, no mundo novo que surge da luta de homens e mulheres novos, “livres e fiéis em Cristo”.
Páscoa! Hora de ouvir a voz do Senhor que nos chama à vida plena e feliz, livres das amarras do pecado para libertar e redimir os irmãos: “Lázaro vem para fora! O morto saiu, com os pés e as mãos enfaixadas e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: Desatai-¬o e deixai-o ir embora” (Jo 11, 43).
Páscoa! Busca persistente, mesmo na angústia e entre lágrimas, para ver a face do Senhor e permanecer fiel a Ele para testemunhar que Ele vive: “... Senhor, se foste tu que o levaste, dizei-me onde o puseste e eu o irei buscar!... e foi anunciar aos discípulos: Vi o Senhor!” (Jo 20,15-18).
Páscoa! Fé no Senhor que está conosco e acalma as tempestades de nossa vida, arrancando o nosso medo e nos devolvendo a confiança necessária para prosseguirmos no caminho, ainda que nosso coração esteja endurecido (cf. Mt 8,23-27; Mc 6,45-52).
Páscoa ! Deixar-se envolver pelo sopro do Espírito que tudo recria e acolher a Paz do Senhor para comunicá-la aos outros em forma de perdão (cf. Jo 20,21-23). Feliz e abençoada Páscoa!
Pe. Fábio Bento da Costa cssr
Superior Provincial
Atravessando desertos
A fonte que alimenta a raiz da minha vida é Deus. E Deus está dentro de mim (março/2010)
A experiência do deserto faz parte do itinerário rumo a Deus. Israel andou pelo deserto onde foi provado e purificado para experimentar Deus e merecer entrar na terra prometida. O deserto nos remete à solidão, ao silêncio, às miragens e oásis, ao encontro com Deus e com o demônio. É uma experiência de encontro e de confronto consigo mesmo e com Deus. Todos nós temos desertos a atravessar. Jesus de Nazaré fez a experiência do deserto e atravessou desertos. Nesta Quaresma somos convidados a fazer a travessia do deserto rumo à Páscoa.
Cada um de nós é chamado a fazer a experiência de ser só. Só eu e Deus. Isso não é isolamento. É encontro com o mistério. É descida para o profundo de si mesmo. Essa experiência assusta e desperta medo. Muitos desistem de fazê-la. Falta-lhes paciência. Deixam-se seduzir pelos ruídos internos e externos. Contudo, só posso ser eu mesmo se eu cuidar de minhas raízes, se tiver profundidade em mim mesmo. A fonte que alimenta a minha vida é Deus. E Deus está dentro de mim. Eu sou porque Deus é em mim. Preciso, então, de interioridade. A dispersão, isto é, o desejo de sempre fazer algo, possuir coisas e pessoas rouba minha vida interior, fere minha identidade e me deixa vulnerável, dividido, desintegrado. Torno-me um idólatra, uma pessoa superficial porque não tenho raízes nas profundezas do coração de Deus. Necessito de conversão que é o contrário de dispersão. Necessito convergir minhas forças para o centro vital da minha existência que é Deus.
Todos os homens e mulheres que fizeram da vida uma resposta de amor ao Amor, tiveram que passar pelo deserto. Somente no deserto, no mais profundo silêncio encontraram Deus e a si mesmos. No deserto conheceram a sua verdadeira identidade, compreenderam a missão que Deus lhes pedia e ganharam força, coragem e disposição para rea-lizá-la. No deserto, seguindo o exemplo de Jesus, homens e mulheres confrontaram suas convicções, avaliaram suas escolhas e refizeram a opção fundamental fazendo da história uma história de salvação (cf. Lc 4,1-13). Se cada um de nós fizer essa experiência descobrirá a beleza e a alegria de ser só para ser solícito. Ser só para ser com os outros e para os outros. Ser só para ser livre.
Madre Tereza de Calcutá nos deixa esse ensinamento: “O fruto do silêncio é a oração; o fruto da oração é a fé; o fruto da fé é o amor; o fruto do amor é o trabalho”.
São Clemente Maria Hofbauer
São Clemente teve iniciativas ousadas e métodos inovadores. Conquistou os pobres, pequeninos e converteu intelectuais (março 2010)
Neste ano celebramos o centenário de canonização de São Clemente Maria Hofbauer. Ele é considerado o segundo fundador da Congregação Redentorista, por ele a ter levado para além dos Alpes; isto é, por ter assumido o grande desafio de manter vivo o carisma de Santo Afonso além dos domínios do Reino de Nápoles e dos Estados Pontifícios. Para nós, São Clemente significa muito porque as Províncias de São Paulo, Goiás e Porto Alegre têm suas origens na Alemanha, ou seja, no ramo transalpino ou naquela parte da Congregação iniciada por Clemente.
Este santo é exemplo de missionário zeloso e cheio de coragem. "Forte na fé e alegre na esperança" enfrentou adversidades ideológicas dos governos de seu tempo e sofreu com os conflitos internos porque os confrades italianos, em geral, discordavam de suas iniciativas e métodos apostólicos. São Clemente conheceu a dor da perseguição e a amargura dos fracassos. Homem perseverante, não desanimava porque sua força era a Cruz do Redentor.
Em seu tempo, São Clemente teve iniciativas ousadas e métodos inovadores. Conquistou os pobres e pequeninos e, pela palavra, convenceu - convertendo - os intelectuais. Para nós, pregadores, deixa a certeza de que o "livro" a ser meditado é a Cruz e que a pregação deve ser preparada de joelhos.
São Clemente nos ajuda a compreender que Espiritualidade e Apostolado são inseparáveis e que a pregação une o missionário com a pessoa do Redentor. O redentorista se torna santo no apostolado.
Desejamos que a celebração do Ano Clementino nos leve a um amor mais profundo à pregação e testemunho da Copiosa Redenção em Cristo. Que a experiência de São Clemente desperte em nós o dinamismo apostólico e a coragem para respondermos às urgências pastorais do nosso tempo.
Pe. Fábio Bento da Costa cssr - Provincial
Amar e servir a Deus
Todos nós que exercemos poder e lidamos com dinheiro precisamos ser vigilantes, transparentes e nos cercarmos de pessoas honestas e corresponsáveis conosco na obra que realizamos.
(fevereiro 2010 - Pe. Fábio Bento da Costa CSsR)
Mais uma vez a Igreja nos oferece o tempo litúrgico da Quaresma que nos prepara para celebrar a Páscoa. Neste tempo especial de conversão somos chamados a rever nossa vida cristã através do exercício da caridade que se expressa na compaixão, na paciência e na tolerância, no acolhimento e no perdão, na solidariedade e na esmola. A conversão requer, ainda, o exercício da oração vigilante e o jejum que purifica nossos sentidos e sentimentos para consentirmos em Deus: “Orai sem cessar. Guardai-vos de toda espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível...” (1Ts 5,17.22-23).
Temos ainda o desafio de rezar, refletir e agir sobre o tema da Campanha da Fraternidade: Economia e Vida; e o lema: “Não podeis adorar a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). Somos chamados a colocar Deus no centro de nossa vida, no altar do nosso coração: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força” (Mc 12,30). O mandamento é claro e nós o sabemos. Acontece que somos frágeis e vulneráveis. Deixamo-nos atrair e seduzir pelas luzes do mercado e por seus produtos de consumo. O supérfluo torna-se necessário e indispensável. O dinheiro passa a ser o centro de nossas preocupações para edificar obras e adquirir tecnologias e bens de consumo. E continuamos insatisfeitos e vazios. O dinheiro nos dá poder. A ilusão de que podemos tudo, a sensação de que estamos acima do bem e do mal. O dinheiro acalma os ânimos, pacifica os irados, segura a língua dos falantes e até compra consciência...
Todos nós que exercemos poder e lidamos com dinheiro precisamos ser vigilantes, transparentes e nos cercarmos de pessoas honestas e corresponsáveis conosco na obra que realizamos. É fácil e tem sido comum decidir tudo sozinho, dispondo do dinheiro da comunidade segundo critérios e vontades pessoais. Alguns se apropriam do dinheiro e dos bens da comunidade como se fossem deles e se esquecem que são administradores do que é de todos e que devem prestar contas de tudo. Se Deus já não conta porque o dinheiro tornou-se o centro e fonte do todo poder e autoridade, o que será do outro? O outro conta menos ainda. É a política dos “dois pesos e duas medidas” que leva à pratica perversa de que “para mim e meus amigos tudo e para os outros o rigor da lei, os questionamentos e a dificuldade”. Como podemos perceber, o lema da CF é instigante e mexe com nossa vida. Precisamos de conversão e coragem de cultivar atitudes como humildade, simplicidade, zelo pastoral, dedicação e competência na obra da evangelização... E que Deus nos liberte da indiferença e da mesmice diante desse forte apelo: “Não podeis adorar a Deus e ao dinheiro”.
Pe. Fábio Bento da Costa CSsR - Superior Provincial
(janeiro 2010)
Haverá um futuro para nós se voltarmos, com fidelidade criativa, à fonte do nosso carisma: “... continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus” (Const. 01).
Iniciando um novo ano e acolhendo as reflexões e decisões do XXIV Capítulo Geral, queremos afirmar que há um futuro para nós. Por isso, convidamos a todos os confrades para continuarmos juntos o processo de reestruturação para a missão. Nossa esperança em ação nos leva a acolher a Palavra de Deus dirigida ao povo no deserto: “Diga a esta geração que avance” (Ex 14,15). Podemos avançar no processo de reestruturar a congregação para a missão, na medida e intensidade que cresce em nós a consciência de que consagramos a nossa vida a Deus para doá-la aos irmãos através da obra evangelizadora da congregação. Viver consagrados a Deus para a missão exige conversão contínua, renúncia de si mesmo e disponibilidade. Portanto, exortamos aos confrades para que “voltem ao amor primeiro e recobrem o fervor” (cf. Ap 2,4; 3,19).
Haverá um futuro para nós se voltarmos, com fidelidade criativa, à fonte do nosso carisma conforme a Constituição 1: “... continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus, como disse Ele de si mesmo: ‘Enviou-me para evangelizar os pobres’. Dessa maneira, a Congregação participa do mandato da Igreja que, por ser sacramento universal de salvação, é, por natureza, missionária. Isso a Congregação realiza atendendo, com dinamismo missionário, às urgências pastorais e se esforçando por evangelizar os homens mais abandonados, especialmente os pobres”.
Neste processo de reestruturação queremos olhar para o passado com gratidão acolhendo o presente com responsabilidade, sem fugir dos desafios, sem desesperar diante das crises e sem medo do novo. Somos homens de fé robusta e esperança alegre, por isso avançamos com “o coração e os olhos fixos na meta escolhida: Jesus Cristo” (cf. Hb 12,2).
Advento
Que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, nossos Santos e Beatos redentoristas nos ajudem a percorrer esse caminho com fidelidade.
(28/10/2009)
Nossa Missão é um modo de continuar Jesus Cristo, de continuar a Missão do Salvador
No dia 09 de novembro os capitulares do XXIV Capítulo Geral estarão na cidade de Pagani, junto ao túmulo de Santo Afonso, para celebrar os 277 anos da nossa querida Congregação Redentorista. É uma feliz oportunidade para agradecer pelo carisma redentorista na vida e missão da Igreja. Cada um de nós é convidado a renovar sua consagração a Deus para continuar realizando a missão redentorista em favor dos mais pobres e abandonados.
O mundo em que vivemos passa por mudanças rápidas e nós precisamos avançar em nosso processo de conversão se quisermos ser presença e sinal da Redenção de Cristo agindo na vida dos homens e mulheres que buscam um sentido para suas vidas. Somos desafiados a identificar quem são e onde estão os mais pobres e abandonados aos quais somos enviados por Deus. Se nós não fizermos esse exercício e se a nossa resposta não for honesta, perderemos a razão de existir na Igreja. Por isso, o XXIV Capítulo Geral após um longo processo de preparação deseja chegar a decisões, prioridades e estratégias que sirvam de orientação para que toda a Congregação seja fiel ao carisma fundacional. Para avançar nesse processo contamos com a adesão de cada confrade. Cada um de nós terá que percorrer o caminho do êxodo, da kènosis e do distacco. Essas expressões bíblicas e de nossa espiritualidade precisam provocar em nós novas atitudes no modo de viver nossa consagração religiosa e no modo da nossa presença no meio do povo.
O documento "Instrumentum Laboris"do XXIV Capítulo Geral afirma: "Nossa existência como instituto religioso é definida pela nossa participação na Missão de Cristo (Const. 23), que é o mandato dado à Igreja (Const. 1). Chamados a estar com ele e a ser enviados a pregar (Mc 3,14), nos vemos como os colaboradores, companheiros e ministros de Jesus Cristo na grande obra da Redenção (Const. 2). Por isso usamos a linguagem da Missão ao nos identificar. Falamos desse dinamismo missionário (Const.1) com o qual respondemos às necessidades dos pobres abandonados, de nosso carisma missionário (EG 021), de solidariedade missionária (Const. 29) simbolizada em nossa celebração da Eucaristia. É claro que a nossa Missão de continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador Redentor pregando aos pobres a Palavra de Deus, não pode restringir-se a alguma forma particular de atividade apostólica. Antes, se caracteriza por seu dinamismo missionário (Const. 14). Usando a terminologia de Santo Afonso, a nossa missão é um modo de continuar Jesus Cristo, de continuar a missão do Salvador. Estamos lidando com um dom do Espírito que precede e fundamenta todos os nossos esforços.
Pe. Fábio Bento da Costa cssr
Superior Provincial
Rumo ao XXIV Capítulo Geral
Contemplando o ícone do Redentor que veio ao mundo para servir e salvar a humanidade, vamos olhar para nós com realismo e esperança
No dia 19 de outubro começa, em Roma, o XXIV Capítulo Geral da Congregação Redentorista. No documento de trabalho "Reestruturação para a Missão - Esperança em Ação" - aparece com clareza a finalidade do Capítulo: "chamados a cuidar da vida apostólica de todo o Instituto (Const.107), o Capítulo Geral é dócil à voz de Deus, que interpela continuamente a Congregação no mundo e na Igreja"(Const.108).
Reunidos em Capítulo, estaremos em oração com Maria, como os apóstolos em Pentecostes, suplicando a Luz do Espírito Santo para iluminar, conduzir e santificar a vida e a missão dos Redentoristas no mundo inteiro.
Contemplando o ícone do Redentor que veio ao mundo para servir e salvar a humanidade, queremos olhar para nós com realismo e esperança. O mundo atual exige mudanças e espera de nós um testemunho de Fé, de Esperança e Caridade que se traduz na compaixão e solidariedade com os pobres. Por isso, toda reestruturação para a missão passa necessariamente pela conversão pessoal. Converter para amar a Deus e ao próximo. O amor de Deus agindo em nós, com a nossa permissão, nos levará aos mais pobres e abandonados no mundo de hoje.
O Capítulo Geral deverá olhar com atenção especial para a formação dos futuros redentoristas e para a qualificação dos formadores. Dentre as urgências pastorais o Capítulo quer enfrentar o desafio na África, Madagascar e os migrantes que se movimentam no mundo. Daí a necessidade de ampliar nossa experiência de Comunidades Internacionais para atendermos a esses e outros desafios. Pela Profissão Religiosa dos Votos nós nos Consagramos Redentoristas para a Igreja no mundo e não para uma Província apenas.
Também será eleito, neste Capítulo, o Superior Geral e os Conselheiros que formam o novo Governo Geral que nos próximos seis anos irá coordenar e animar a vida e a missão de toda a Congregação.
O Capítulo deverá, ainda, propor uma nova estrutura de organização das Províncias em Conferências. O objetivo é criar mecanismos eficazes para viabilizar projetos comuns acerca da formação, da missão e da solidariedade entre os redentoristas.
Rezemos pelo feliz êxito do Capítulo Geral que acontece até o dia 18 de novembro, em Roma. Vamos aguardar, na esperança, que venham boas idéias e corajosas decisões para o bem de todos nós e do povo que servimos.
Pe. Fábio Bento da Costa cssr - Superior Provincial
Palavra de Esperança e Salvação
Nós precisamos nos alimentar da Palavra para falarmos o povo a mensagem de Deus que é vida, esperança e salvação
Neste mês somos convidados a ouvir e meditar com mais atenção a Palavra de Deus. "Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e preparado para toda boa obra" (2Tm 3,16-17). Nós precisamos nos alimentar da Palavra para falarmos ao povo a mensagem de Deus que é vida, esperança e salvação. Nosso coração precisa estar cheio da Palavra de Deus para que a nossa boca anuncie a Boa Nova do Reino de Deus e denuncie o pecado convocando as pessoas à conversão: "A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as juntas e medulas se tocam; ela sonda os sentimentos e os pensamentos mais íntimos. E não há criatura oculta à sua presença. Tudo está nu e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas"(Hb 4,12-13).
O profeta Ezequiel falou à casa de Israel após alimentar-se da Palavra: "Filho do homem, come o que tens diante de ti, come este rolo e vai falar à casa de Israel... Filho do homem, ingere este rolo que te estou dando e sacia-te com ele. Eu o comi. Na boca parecia-me doce como mel"(Ez 3,1-3). Essa impressionante experiência do profeta nos sensibiliza para ficarmos mais atentos à Palavra que orienta nossa consciência para o bem e educa nosso coração para a justiça, a caridade e a paz.
A constituição 28 da Congregação Redentorista ensina que "a Palavra de Deus é sustento e vigor da Igreja e para seus filhos força da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual". Sejamos, pois, amantes da Palavra para que em nós e através de nós o Senhor realize maravilhas.
Pe. Fábio Bento da Costa,cssr
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás
Ouvir e praticar a Palavra de Deus
A Palavra de Deus orienta nossa consciência para fazer a vontade de Deus e educa o nosso coração para o amor, o bem, a verdade e para a justiça
Na vida de cada um de nós, a Palavra de Deus precisa ocupar um lugar especial. O cristão discípulo missionário de Jesus – tem que ler e meditar a Palavra todos os dias. A Palavra de Deus não é letra, mas espírito e vida. Pela Palavra Deus criou todas as coisas e nos fez “à sua imagem e semelhança”. Pela Palavra dirigida aos Patriarcas e Profetas, Deus revelou seu Plano de salvação para a humanidade. “O Verbo – Palavra – de Deus se fez carne e habitou entre nós”. Jesus é a Palavra viva do Pai. Na montanha do Tabor, o Pai nos revela Jesus como Filho amado e ordena: “Ouvi-o!” É preciso ouvir o que nos fala Jesus: “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora aos pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos” (Hb 1,1-2). De tal modo ouvir a Palavra é importante que certa vez alguém elogiou a mãe de Jesus que o trouxe ao mundo e o amamentou. Mas Jesus respondeu: “Mais feliz é quem ouve a minha Palavra e a põe em prática” (cf. Lc 11,27-28). A Palavra de Deus orienta nossa consciência para fazer a vontade de Deus e educa o nosso coração para o amor, o bem, a verdade e para a justiça. São Paulo exorta Timóteo a perseverar no ensinamento da Palavra de Deus porque “toda a Escritura é inspirada por Deus e serve para preparar o homem de Deus para toda boa obra” (2Tm 3,16-17). Nós precisamos acolher a Palavra de Deus no coração e deixar que ela nos questione e produza em nossa vida frutos de fé, de conversão, de esperança e de amor (cf. Mc 4,20). Não podemos ser apenas ouvintes da Palavra. É preciso ouvir e acolher a Palavra com respeito, com atenção e com fé, que significa obedecer ao que nos diz a Palavra de Deus. Muita gente escuta e não obedece, relativiza a Palavra de Deus e acaba fazendo o que quer. São Tiago nos exorta: “Recebei com docilidade a Palavra que foi plantada em vossos corações e é capaz de salvar as vossas vidas. Tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes, enganando-vos a vós mesmos!” (Tg 1,21-22).
Pe. Fábio Bento da Costa,cssr
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás